Todos, Alguém, Qualquer um, Ninguém

A propósito dos 20 anos de reabertura do Teatro Viriato ao público, a Companhia Paulo Ribeiro foi desafiada a criar uma peça que retrate acontecimentos marcantes da sociedade e da cultura portuguesa ao longo das últimas duas décadas.

O coreógrafo Luiz Antunes em colaboração com António Cabrita e São Castro pensam o corpo através da palavra, procurando criar um objeto artístico onde a palavra dá lugar a figuras e o corpo é o contraponto na narrativa, onde a palavra descrita revela-se no abstrato do corpo.

Seis figuras em cena que entre o lento e a explosão – geradora do que é acontecer – viajam por momentos de solidão, de raiva, de julgamentos sumariamente físicos, brutos carregados de novos dogmas, de novas formas de moralismos. Cenas que por acontecerem estão a ser reais, são garantia da realização inevitável de algo.

Se a frase esteve para a dança e o movimento para a palavra, também eles estiveram juntos naqueles que foram os marcos destes anos, onde se movimentaram e nomearam ideias e crenças, onde se fez, dançou e chamou História.

Trabalhar pelo acontecimento, o que se consegue ver, e não o que dizem os escritos sobre a forma como aconteceu, porque nos escritos não há sentimento efetivo.

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