Cecília Ribeiro


A história de Cecília Ribeiro começa aos 8 anos, na garagem do pai, com acesso a materiais e ferramentas que lhe deram a oportunidade de explorar e brincar aos crescidos, enquanto criança curiosa. Começa por misturar missangas coloridas em fios de cobre, com combinações elegantes que se destacavam devido à tenra idade e conhecimento, “como resultado começo a ter pessoas interessadas e eu cada vez mais entusiasmada, claro que depois a escola começa a ter um papel muito mais exigente e acabo por direcionar interesses para outras tarefas, mas sempre muito ligada ao mundo das Artes.”

 

Cecília é designer, licenciada pela ESE de Coimbra em Arte e Design, o que lhe possibilitou o contacto com muitas especialidades. O despertar de um interesse pelos objetos e as suas funções leva-a a uma especialização em Joalharia, através de cursos e workshops.

Conta-nos que a sua inspiração vem de tudo um pouco, é fã dos detalhes da Natureza e das coisas simples como movimentos, texturas ou rochas, “sempre com um olhar muito espontâneo e abstrato, mas ao mesmo tempo consciente”. Abraçou uma oportunidade e foi viver para Barcelona, onde fez novas amizades e conheceu novos ambientes que a permitiram questionar o seu olhar sobre as coisas e sobre a vida. “No entanto, nunca esquecendo as minhas origens e a inocência de criança que me fazia experimentar o resultado da mistura de materiais na oficina do meu pai.”

Em 2016, a designer participou na Feira Internacional de Ourivesaria e Bijutaria Bijorhca, em Paris e revela que esse ano foi marcado por mudanças. Apesar de ter tudo para correr mal, era um grande investimento e a sua primeira vez a apresentar-se numa feira internacional de grande dimensão, “foi uma oportunidade que não estava à espera, mas como tudo na vida, é necessário aproveitar as oportunidades.” Os resultados da experiência foram bastante positivos, com muita criatividade e qualidade da parte da participação portuguesa, e, hoje em dia, Cecília não se vê sem pelo menos mais uma participação internacional, ainda este ano.

Quando questionada sobre a sua peça favorita, Cecília conta que “todas as peças são criadas com muito amor e a todas elas dou um pouco de mim e do meu perfil enquanto pessoa”, no entanto, se realmente tivesse de escolher, escolheria o anel “Ice”. “Esta é uma peça forte, mas delicada com pormenores ricos e detalhados em ouro. Uma textura complexa com ar frágil apelando a uma Natureza delicada, como se tratasse de uma casca de árvore com pequenos apontamentos de vida em movimento.”

Para a designer, a melhor parte do ofício é a construção de uma peça, a passagem de um simples rabisco para um verdadeiro adorno, que virá a ser usado, fruído e usufruído no dia a dia, e que “numa fase final, encontra o seu dono.” Por outro lado, a pior parte são as frustrações inerentes ao negócio, dado que a parte financeira desta paixão é “muito ingrata e tornar rentável é muito difícil”.

Os seus conselhos para as gerações futuras dos apaixonados pelo design são baseados nas próprias experiências e interpretações. “Acho cada vez mais importante em qualquer área do Design sermos sensíveis, sensíveis à Natureza, a uma construção consciente do início ao fim, a um equilíbrio entre o objeto e o consumidor.”

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