BALENCIAGA – 101 ANOS DE HISTÓRIA - Faire
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BALENCIAGA – 101 ANOS DE HISTÓRIA

Conhecida, atualmente, pelas suas sapatilhas chunky, as Triple S, e pelas sapatilhas eleitas pela Cardi B, – I like those Balenciagas, the ones that look like socks – as Speed, a casa Balenciaga começou a dar os seus primeiros passos, em 1919, revelando-se, até aos dias de hoje, uma referência, no mundo da Alta Costura.

Cristóbal Balenciaga Eizaguirre nasceu a 21 de janeiro de 1895, em Guetaria, uma vila reconhecida pela pesca, na província de Guipuzkoa, no País Basco, em Espanha. Filho de um marinheiro e de uma costureira, Cristóbal perdeu o pai, em 1906, o que fez com que a sua mãe Martina Eizaguirre Embil tivesse de criar os seus três filhos sozinha – Cristóbal, Agustina e Juan.

Há relatos que, aos seis anos de idade, Cristóbal costurou o seu primeiro casaco para o seu gato, inspirado, muito provavelmente, pela profissão da sua mãe Martina. Foram compilados recibos que provam que a sua mãe efetuava serviços de costureira às senhoras de Guetaria e, após a morte do seu marido, Martina duplicou a sua carga horária, o que levou a que o filho mais novo a auxiliasse em serviços mais pequenos.

Balenciaga acompanhava Martina, nas visitas às casas mais ricas da sua vila. Pensa-se que a convivência com a elite local poderá ter ajudado na sua carreira e visão.

Uma das famílias para quem Martina trabalhava, teve um papel fundamental. A Marquesa de Casa Torres abriu as portas do mundo da moda a Cristóbal, tendo apadrinhado o seu trabalho e proporcionando a melhor formação que poderia ter.

A formação profissional de Balenciaga começou em San Sebastián, graças aos contactos da Marquesa da Casa Torres. Os registos municipais verificam que este viveu na cidade, em 1907, todavia não há registos que apontam o estabelecimento onde deu os primeiros passos, na sua aprendizagem. Estima-se que terá sido aprendiz na Casa Gómez, uma vez que três dos alfaiates desta casa abriram a sua própria loja New England, em 1908, e é nos registos desta que se encontra o nome de Cristóbal Balenciaga como aprendiz.

Apesar de novo, Cristóbal tinha bastante experiência em costura e, depois de três anos na New England, foi contratado para a loja de departamentos Au Louvre, em San Sebastián, uma filial da Les Grand Magasins do Louvre, em Paris.

O seu trabalho em Les Grand Magasins Du Louvre foi reconhecido e proporcionou a Balenciaga o aperfeiçoamento no seu ofício e um maior contacto com a produção e comercialização parisiense.

Todavia, não se sabe o ano preciso em que Cristóbal deixou a filial do Les Grand Magasins Du Louvre. O secretário do costureiro  relata que Balenciaga teve durante uns tempos, em Bourdeux, em França, antes de voltar a San Sebastián e lançar a sua própria marca, isto porque reconhecia a necessidade de aprender francês para singrar como costureiro.

É sabido que em 1917, Cristóbal anunciou, nos jornais de San Sebastián, que estava à procura de costureiros para trabalhar no seu estabelecimento: C. Balenciaga. Começou por um negócio pequeno, que nem possuía registos municipais. Só em 1919 é que Balenciaga oficializou o seu primeiro empreendimento. Com a ajuda das sócias Benita e Daniela Lizaso fundou Balenciaga y Compañia. No entanto, ao final de seis anos de contrato, Cristóbal funda, então, a empresa sob o seu nome próprio. Alcançou facilmente o sucesso, desenhando as suas próprias peças.

Em setembro de 1925, lançou a sua primeira coleção em nome próprio e apresentou-a, exclusivamente, à Rainha de Espanha, o que garantiu a venda de diversos modelos para a realeza espanhola.

Em 1927, abriu a Eisa Costura, sendo que o nome representa um diminutivo do nome da sua mãe Martina Eizaguirre. Este atelier dirigia-se à classe média alta ascendente, diferenciando-se da sua marca Balenciaga.

A queda da monarquia espanhola e proclamação da Segunda República, em 1931, tem repercussões no seu negócio e obriga o costureiro a fechar, devido à crise. Porém, retoma a atividade, no ano seguinte.

Em 1933, estima-se que Cristóbal se tenha focado na alta costura, tendo aberto uma loja em Madrid e outra em Barcelona, onde apresentou a sua última coleção, em 1936, antes da Guerra Civil.

Sabe-se que o costureiro migrou para Londres, durante uns meses, no entanto, não conseguiu trabalhar na sua profissão, durante a sua estadia.  Como não se estabeleceu em Londres e o regresso a Espanha era impensável, Cristóbal Balenciaga resolveu procurar novos lugares para singrar. Paris foi o destino eleito pelo costureiro.

Quando chega a Paris, este já carregava consigo vinte anos de experiência. Paris ofereceu a Balenciaga a mão de obra de luxo para a alta costura e recebeu-o de braços abertos. Apesar do sucesso em França, Cristóbal nunca esqueceu as suas origens. As suas criações combinavam o design tradicional e popular de Espanha e o modernismo que invadia a Europa. E a maioria dos funcionários da sua Maison era de origem espanhola.

A relação que tinha com a Marquesa da Casa Torres manteve-se, ao longo dos anos, tanto que esta insistiu que Balenciaga reabrisse as suas casas, em Espanha. Há registos que apontam a reabertura das lojas de Madrid e Barcelona, entre 1941 e 1942.

Há quem divida a carreira do costureiro espanhol em três períodos: a formação em Espanha, o estabelecimento em Paris, onde trabalhou, durante 31 anos, e a sua reforma. Cristóbal gostava de manter a sua privacidade e, durante a sua vida, só deu uma entrevista, ao The Times. Tal discrição levou a que, após o seu primeiro desfile em Paris, algumas publicações de moda se questionassem se existiria um Balenciaga. A Casa investia pouco em publicidade, igualmente. Apenas anunciavam, na Vogue francesa, o lançamento das novas coleções. E, em 1956, Balenciaga decide apresentar as coleções à imprensa, um mês depois do lançamento a clientes, para evitar cópias das suas criações.

Em 1968, Balenciaga fechou sua casa de moda devido ao novo conceito, Prêt-à-porter, iniciado pelos franceses. O visual moderno que ele criou foi sustentando e carregado por André Courrèges e Emanuel Ungaro, aprendizes no seu atelier, e por Hubert de Givenchy, entre outros.

Morreu em 24 de março de 1972, em casa, em Espanha. É célebre o epitáfio oferecido por uma cliente de longa data: “Uma mulher não precisa de ser perfeita, nem bonita para usar as suas roupas [de Balenciaga]. As roupas criadas por ele fazem qualquer mulher bonita.”

Christian Dior considerava Balenciaga o mestre dos mestres, entre os costureiros, para Hubert Givenchy o espanhol era o arquiteto da moda capaz de influenciar todos e para Coco Chanel, Cristóbal era o único capaz de criar, cortar e costurar uma peça do início ao fim. Deste modo, Balenciaga é considerado por muitos historiadores, teóricos e amantes da moda, o maior costureiro de alta costura de todos os tempos.

Após a sua morte, a casa Balenciaga caiu em esquecimento, muito graças ao Prêt-à-porter e por causa da imprensa.

Em 1997, a contratação do francês Nicolas Ghesquière traz de volta o nome da marca à ribalta.  Atualmente, a marca Balenciaga pertence ao Grupo Kering e Demna Gvasalia é o diretor criativo.

O Cristóbal Balenciaga Museoa pode ser visitado virtualmente aqui.