Um paraíso gastronómico chamado House of Wonders

Fui a Zanzibar em Cascais e passei pelo Caribe… Sinceramente, nem sei por onde começar. Entrar no House of Wonders é uma viagem num mundo de cores, cheiros, detalhes vintage à mistura com peças mexicanas, árabes…

É uma energia contagiante que te deixa meio atordoada nos primeiros dez segundos, mas depois vem uma sede de ver, provar e saber mais sobre tudo o que te rodeia naquele momento. Bom, acho que era mesmo assim que deveria apresentar este restaurante vegetariano em Cascais, que nos leva mundo afora!

Tive excelente companhia neste almoço, a minha super parceira, a Rute, do blog the blondie traveller, meses atrás tinha me comentado sobre o House of Wonders e fiquei muito curiosa, mas as nossas agendas, totalmente doidas, só nos deixaram ter tempo agora. Mas…quem espera sempre alcança!

Um almoço divinal com tanta boa energia que não dava mais vontade de sair de lá. Incrível!

O espaço é incrível, uma especie de dois em um. O restaurante com buffet de quentes e frios é mágico por onde quer que olhemos, com uma parede quase toda de temperos, com mesas e cadeiras em madeira, pintadas de cores alegres, na esplanada uma das mesas é uma porta, se por um lado poderia assustar quem passa, dentro do contexto é uma peça essencial de bom gosto.

Saindo do restaurante viramos à direita, subimos umas escadinhas e entramos numa casa de três pisos, continuação do espaço. No primeiro andar, mesas, livros, flores secas penduradas no teto e, no meio da sala, como se de um elefante branco se tratasse, só que não, está uma máquina linda de fazer pão! Uma verdadeira relíquia que funciona e produz o pão diário. Um máximo gente!

No segundo piso, um buffet menor e Dominicque, o mestre dos sumos. Inspira-se nas cores e, “nenhum sumo leva água, para não alterar o sabor”, explicou-me. Há uma grande variedade, provei morango com beterraba, manga com maracujá e um terceiro que eu amei no primeiro gole, à base de espinafre, manjericão, lima e gengibre. Dias antes tinha provado noutro lugar, um sumo de gengibre e maçã que acabou com o meu estômago por causa da quantidade de gengibre, mas Dominique simplesmente tem a quantidade perfeita. É incrível como dá mesmo para sentir todos os sabores, como se de uma orquestra se trata-se e, onde cada músico está no seu lugar e, mesmo que toquem todos ao mesmo tempo, dá para reconhecer cada um dos instrumentos nitidamente.

Até já Dominicque! Subo mais um lance de escadas decoradas por mapas, sombreros e quadros e chego ao rooftop colorido, com plantas, cantinhos que chamam para sentar, ter uma boa conversa entre amigos, ler um livro ou apenas ficar no dolce fare niente.

Mezze

Partilhar e nada de colocar os talheres por cima do prato, como refeição encerrada, enquanto houver ainda comida na mesa. Gostei da ideia, apesar de ter feito tudo errado na hora, mas aprendia lição e achei-a linda!

No House of Wonders a linha gastronómica é oriental com mediterrânea. Os pratos são diferentes todos os dias, portanto não há menu. A ideia é levar para o prato um mix de cores, com alimentos saudáveis e saborosos.

Como entrada provei o hummus com uma ciabatta feita com três tipos de farinha, glúten free total. Gente do céu, quando provei o hummus delirei na hora! Sério, sem qualquer exagero, nunca comi algo assim na minha vida, tão saboroso. Só de pensar já fique com água na boca. É único, o pão delicioso sumiu da mesa em poucos minutos…

Provei um pouco dos vários pratos do buffet, amei couscous e o tabule de quinoa é divinal. Vale a pena provar os pimentos recheados, o chuchu e os rebentos de soja. Na verdade tudo é bom, tudo é gostoso! A sobremesa é de loucos, provei e exagerei nas garfadas, é que tava muito bom! Vejam só, é  uma trilogia perfeita para quem gosta de parfait, tipo eu. Tem amora com beterraba, abacate com pistachio, cardamono, lima e figo – foi o que eu mais garfadas dei – e manga com sementes de papoila. Uma loucura!

À noite o cenário muda, é preciso fazer reserva, está sempre cheio. Só há 4 tipos de pratos quentes que têm como base a quinoa marroquina biológica e Freekeh, considerado o cereal mais antigo do mundo.

Uma história linda e impossível de esquecer 

Um restaurante repleto de “filhos do mundo”, somam 14 nacionalidades no staff. A ideia, a criação, tudo o que se vê e se come partiu da vivência de Anna de Bruin, uma holandesa que esteve a viver em Zanzibar durante 7 anos. O nome do restaurante é em homenagem ao primeiro edifício em Zanzibar a ter luz elétrica.

O  coração de Anna é humilde e repleto de gratidão, nota-se nas palavras, no brilho de seus olhos, no jeito como respeita a comida e quem está ao seu lado. Leva consigo aqueles valores de quem já percorreu o mundo e viu de tudo um pouco, de quem sentiu dor e descobriu, durante o seu percurso, o segredo da felicidade.

Conversar com ela é perder-se no tempo, com histórias lindas, numa voz calma e doce, repleta de bom humor! Diz que decidiu mudar-se para Portugal sete anos atrás, por causa da luz. Como a entendo! A luz de Portugal é maravilhosa!

Junto a Dominicque, seu parceiro, gerem de segunda a domingo, todos os dias do ano, o House of Wonders. Vou voltar, devo ter dito, no mínimo, umas dez vezes, durante o almoço que tinha que mostrar toda essa maravilha ao meu marido. Portanto, em breve irei e devorarei sem culpa o hummus mais gostoso do mundo!

Por Paula Bollinger

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