Porque motivo a indústria de peles aposta nos “influenciadores”?

Porque motivo a indústria de peles aposta nos “influenciadores”?

A Saga Furs, empresa que fornece as peles para a maioria dos negócios de moda, tem vindo a apostar em bloggers para se sobressaírem.

Na Saga Furs, na Finlândia, segue-se o quarto leilão. As peles em que os compradores investem serão, mais tarde, casacos da Fendi, lenços da Saint Laurent, entre outros acessórios de luxo. No entanto, apesar do sucesso, o mercado das peles nunca foi tão incerto. De acordo com a International Fur Federation, um grupo comercial, as vendas globais de peles estão em queda livre.

Os vendedores de peles culpam a desaceleração na China e acreditam que a indústria de peles pode depender de negócios crescentes no Ocidente. No geral, os desafios políticos na Europa e nos Estados Unidos da América ameaçam toda a produção e comércio. Um exemplo evidente poderá ser a proibição gradual da criação de peles na Irlanda, que seguiu os passos da Noruega, Luxemburgo e Bélgica, que anunciaram a proibição no ano passado. Los Angeles e San Francisco também tem vindo a proibir a venda de peles.

Nos últimos dois anos, ativistas que se dedicam à proteção dos animais pressionaram várias marcas de luxo de primeira linha, inclusive Gucci, Michael Kors e Burberry, a deixarem de usar peles. Uma grande maioria das marcas tem vindo a refletir sobre este movimento, e neste momento, a marca de luxo Prada já anunciou ter eliminado definitivamente o uso de peles.

Por este motivo, as marcas que ainda vingam através da indústria das peles sentiram alguma necessidade de recuperar o seu uso. Este ano, Saga Furs contratou Bryan Grea Yambao, também conhecido como Bryanboy na plataforma digital instagram, com o objetivo de projetar uma série de coleções cápsula focada nas peles. Antes, a Saga tinha como negócio principal conectar produtores de peles com os respetivos compradores para que fosse possível obter lucro através da comissão de cada venda. Atualmente, o objetivo é ter a certeza de que a pele ainda é vista como relevante no mundo da moda. Nem que para isso seja necessário recorrer a influencers que consigam estabelecer uma campanha publicitária global mais eficaz através das redes sociais. De facto, o instagram tornou-se a “arena” para as marcas disputarem a atenção dos consumidores.

A partir de 2015 a Saga começou a trabalhar com influenciadores e esta campanha com o blogger Bryanboy surge precisamente pela necessidade de fortalecer a popularidade das peles fora da China. O objetivo é promover a pele como uma alternativa sustentável para peles artificiais que são produzidas, na maioria das vezes, por plástico. Esta estratégia surge como uma mensagem desafiadora capaz de chegar aos mais diversos meios de comunicação. No entanto, é muito improvável que uma coleção de cápsulas impulsionada por digitais influencers, que pretende que se compre e venda peles, consiga combater os efeitos das forças políticas e económicas globais.

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