OS AURORA: “O GRITA É ISSO, UM MURRO NA MESA”

A música portuguesa esconde talentos em todos os cantos no nosso Portugal, e quatro rapazes de pontos distantes do país juntaram-se para fazer história. David Silva, de Santa Maria da Feira, Eduardo Monteiro e João Carrasqueira, de Beja, e Tiago Araújo, de Barcelos são Os Aurora.

Poucas horas antes de mais um concerto, Eduardo Monteiro e Tiago Araújo sentaram-se à conversa com a FAIRE para discutir o seu percurso.

Começaram como sendo Bring Us Tomorrow, o primeiro nome escolhido quando o destino os juntou em 2013, no programa de talentos Factor X, mas numa fase seguinte mudaram e procuraram um renascer através do significado do novo nome.

Depois de 4 anos passados entre a passagem pelo Factor X e o lançamento do seu primeiro álbum “Grita”, lançado a 10 de março, muita coisa mudou para estes quatro rapazes. “Mudamos nós, crescemos enquanto pessoas e mesmo musicalmente acho que também mudamos bastante”, afirma Eduardo.

“Houve uma altura em que decidimos que tínhamos que parar um bocadinho, abrandar um bocado, e fazer um trabalho inteiramente original”, a edição de autor representa assim um murro na mesa, um lembrete que estão cá para ficar. A escolha de uma música que mais se destaca é, para ambos, uma escolha difícil. Enquanto Eduardo marca-se mais pelos temas Sem Ti, o último single da banda, Volta e Madrugada, Tiago destaca Teste Errado pela mensagem transmitida que, em parte, ainda não foi revelada.

Depois de uma tour em acústico pelas Fnacs do país e da apresentação do álbum em concerto no Hard Rock e Hard Club, os próximos objetivos da banda passam por tocar o mais possível. Segundo Tiago, a banda gostava agora de se estrear em festivais, gostávamos muito de fazer esse tipo de espetáculos, porque é algo que ainda não fizemos. Já tocamos em muitas feiras, eventos de praça e cidade, em auditórios, mas ainda nos falta picar o ponto nos festivais e vamos lá ver se ainda este ano conseguimos.”

Em relação aos seus fãs, os dois rapazes são unânimes e agradecem todo o apoio que recebem. Eduardo vai mais longe e diz mesmo que, apesar de cada banda ter a sua estrutura, os músicos e managers, é aos fãs que devem tudo, às pessoas que os ouvem. “Fazemos música para vocês, para vocês ouvirem, para vocês pegarem nas nossas mensagens e puderem usá-las nas vossas vidas, da melhor maneira. E que ouçam a nossa música no carro”, afirma o jovem de Beja. E são estes fãs que conhecem e sabem que têm do outro lado, que acompanham os concertos da banda e cantam em conjunto.

Eduardo descreve esta sensação como algo “fantástico”. “É um sonho. É para isso que os músicos escrevem músicas. Para um dia mais tarde teres as tuas pessoas a ouvir e a cantar as tuas músicas.”

Quando o assunto é a família, João, um dos membros da banda diz que se pudesse, carregava a mãe às costas e andava sempre com ela. No entanto, dizem-nos que a distância é uma questão de hábito. “Tivemos logo grande dose quando nos formamos, tivemos cerca de dois ou três meses de grande atividade e íamos dois dias por semana a casa, uma pessoa vai-se habituando”, conta-nos Tiago.

Ainda assim, as famílias dos quatro jovens foram e continuam a ser um grande apoio na luta pelo sonho da música, com apoio incondicional e mesmo monetário – “uma banda como nós, ainda por cima, com uma edição de autor, teve que existir algum investimento. Claro que jovens como nós tivemos que ir buscar esse apoio aos pais.”

São uma banda 100% portuguesa, que valorizam a nossa língua e mantêm-se fiel a ela. Mais do que isso, são os compositores das suas próprias músicas, deixando nas suas mãos a tarefa de delinear o caminho de cada canção. Eduardo Monteiro atribui alguma da inspiração às histórias de vida que os quatro já enfrentaram – “estes três anos que nós andamos a preparar o álbum, a tocar e isso tudo, as coisas surgem. Tens uma história por ali para contar, tens aventuras que queres contar.” No entanto, por vezes, é apenas trabalho. “As letras não são só inspiração divina, pegas na guitarra e tens que fazer a música, porque, ao fim ao cabo, isto é um trabalho”, realça Eduardo.

A última pergunta desta conversa, passou pela banda sonora que descreveria a vida dos jovens músicos, e Tiago diz que Os Aurora não seriam a banda sonora da sua vida, defende até que pensa que “o pessoal que faz música prefere ouvir as músicas dos outros, senão não evoluí, se estiveres sempre a ouvir as que tu fizeste”. O jovem de Barcelos atribui, então, a sua banda sonora aos dois primeiros álbuns dos Coldplay, Parachute e A Rush Of Blood To The Head.

Já Eduardo descreve a banda sonora da sua vida através do artista Flume, e deixa ainda no ar um desejo, “eu preferia que a nossa música fosse a banda sonora da vida de outra pessoa.” 

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