NÄZ, a marca da elegância e da sustentabilidade

A história de uma designer de moda, a história da NÄZ

Admitir o Design de Moda em Portugal como uma alienação entre a qualidade e preço justo é algo que certamente será desmistificado.
Cristiana Costa, CEO da marca NÄZ, lisboeta apaixonada pela cultura covilhanense, após compreender o Design como uma área multidisciplinar, edificou o incalculável até então: a paixão pela Psicologia e Sociologia e o fascínio pela Moda uniram-se num só. Surge assim a história da NÄZ.

Uma marca distinguida pela sua unicidade, qualidade, linha igualável, minimalismo, sustentabilidade e fabrico nacional, chegou às ruas da Antuérpia e Bélgica surpreendendo com a sua máxima de sustentabilidade que, desde imediato, possibilitou uma aceitação positiva.
A CEO da NÄZ, galardoada com o prémio Startup Voucher, da IAPMEI, esteve à conversa com a FAIRE para explicar o funcionamento e todos os processos pelo qual a marca passou.

 

Faire (F): Primeiramente, o que levou a Cristiana a seguir a arte do Design, realizando assim toda a sua formação na área da Moda?

Cristina Costa (CC):  Essa é capaz de ser a pergunta mais difícil que me podem fazer, nunca sei responder!
Na verdade, não sei muito bem o que me levou a seguir esta área.
Na altura, estava em humanidades e era apaixonada por história e psicologia e acho que o design, e principalmente a moda, é uma área multidisciplinar onde consigo agregar várias paixões minhas, a psicologia e sociologia, que são algumas delas. O sucesso de uma marca passa por perceber o público e as suas necessidades.
Acabei por me apaixonar pelo têxtil e segui muito mais essa área de especialização na verdade. Penso que tem imenso em comum com a outra paixão que falei, a história. Valorizo imenso toda a história que os têxteis têm e todo o conhecimento das pessoas atrás dos mesmos.
Entretanto, antes de entrar na Universidade tinha uma marca de vestuário upcycling com uma amiga, era um “entretém”, para ganhar uns trocos, e o bicho deve ter pegado de algum modo porque acabei por apenas colocar como opção o curso Design de Moda.

 

(F): Como surgiu a criação da marca e qual a razão que levou à intitulação da marca como NÄZ?

(CC): Como disse tinha uma marca com uma amiga, que, entretanto, nos separámos porque quis colocar em prática aquilo que realmente estava a aprender e fazer peças que me fizessem satisfeita a nível criativo.
A NÄZ, como conhecem agora, surgiu muito da necessidade de procurar vestuário sustentável que não fosse, ou extremamente caro, ou aborrecido. Se eu tinha essa necessidade mais alguém deveria ter e, pelos vistos, estava certa!
O nome, bem, queria algo que não significasse nada automaticamente, algo curto e sonante, dei por mim a pesquisar várias palavras que, como a saudade, não têm tradução direta, e encontrei esta, que vem do urdo e significa orgulho, mas um tipo de orgulho/confiança que sentimos quando sabemos que somos amados e aceites, e acho que é assim que quero que as minhas clientes se sintam, confiantes e orgulhosas.

 

(F): A marca Näz distingue-se pelas máximas: unicidade, qualidade, design, minimalismo, sustentabilidade e nacionalização da marca, no qual oferecem peças procurando sempre obter um price-range não-proibitivo. Assim sendo, quais foram os obstáculos que necessitaram de ultrapassar para disponibilizar uma boa qualidade a um preço justo?

(CC): Acho que ainda estamos a ultrapassar esses obstáculos. A minha noção de preço justo mudou muito com a evolução da Näz. Procuro igualmente modificar essa noção nas outras pessoas e tentamos fazer por isso, acho que isso é um obstáculo.

Os fornecedores são outro grande obstáculo. Aceitam apenas grandes encomendas.
Dessa forma, acabámos por criar relações com algumas fábricas que nos vendem restos de coleções. Conseguimos assim tecidos de grande qualidade sem a necessidade de pedir tantos metros e diminuímos também a nossa pegada ambiental e a necessidade de menor investimento.
Depois passa, por um lado, de aprender a rentabilizar a produção – o que se aprende muito se observarmos o fast-fashion – temos por enquanto uma tabela de tamanhos reduzida e os nossos cortes são bastante simples, o que, tendo em conta o volume de produção que temos, reduz imenso os custos. Optámos por ter produção própria, assim controlamos melhor todo o processo.

E, por fim, o facto de não querermos lucrar milhões. Queremos uma empresa que cresça de modo saudável, que consiga pagar ordenados justos, mas não procuramos que em cada venda as taxas de lucro sejam altas. Queremos lucrar pela quantidade de vendas, aumentar a produção e colocar a marca disponível como uma escolha sustentável para o máximo de pessoas possível. É sem dúvida o nosso objetivo. Isso é um obstáculo a curto prazo, mas que no final será um ponto forte da marca.

 

(F):Sendo todo o processo de confeção realizado no vosso atelier com um design minimalista e democrático, com cores e cortes simples como referiu, recorrer a materiais excedentes de produção de fábricas têxteis portuguesas e a outro tipo de técnicas sustentáveis e recicláveis foi, de facto, um desafio que contribuiu para a distinção da NÄZ.
Qual o motivo pelo qual recorreu a essa forma de sustentabilidade?

(CC): Já existe quase tudo no mundo do design de moda. Penso que, atualmente, o designer de moda tem uma responsabilidade acrescida: não tem de fazer novo, tem de fazer melhor. É isso que tento, fazer melhor, com menor impacto ambiental e maior impacto social (positivo!).
Os designers têm responsabilidade sobre todo o ciclo de vida do que produzem, e quero ter sempre isso em atenção quando faço uma peça nova, essa responsabilidade é muito grande quando temos noção do estado da indústria da moda.

Utilizar excedentes de produção foi no início uma necessidade e que eu vi como um ponto forte a ser explorado, tenho noção que mais tarde terei de uniformizar alguma produção e aí já terei o poder de optar por fibras orgânicas e recicladas, no entanto quero continuar a utilizar tecidos que, se não fosse a NÄZ, provavelmente teriam um ciclo de vida muito mais reduzido, aumentando a sua pegada ambiental. Tudo o resto veio por acréscimo. 
Como disse, já existem botões, mas os nossos são melhores pois são nacionais e reciclados, já existem fivelas e seria bem mais fácil ir comprá-las, mas optámos por imprimir em 3D em colaboração com a MiniLab em plástico de fontes renováveis e biodegradável.

(F): Sabendo que participam em diversos mercados nacionais e internacionais, como descreve a evolução da marca uma vez que já se encontra com dois locais de venda na Antuérpia?

(CC): Até agora a marca foi um estudo de mercado, tentámos perceber se realmente este tipo de produto respondia às necessidades do público, e, tendo em conta que o público da marca não será apenas português, quisemos começar a testar em outros países.
A aceitação tem sido incrível e já sabemos que não podemos desistir.
Agora queremos dar o salto e esperemos que estejam aqui para acompanhar!

 

(F) Viajou dos estudos em Covilhã para Lisboa. Qual a razão pelo qual elegeu Lisboa para desenvolver os locais de venda a nível nacional?

(CC): Na verdade sou natural de Lisboa e a minha família vive lá. Apaixonei-me pela Covilhã quando vim para cá estudar e achei que não faria sentido sediar a marca e a produção em outro sítio devido a toda a história que a Covilhã tem com os têxteis.
Lisboa é o ponto de venda principal da marca porque a amo, mas também porque é a cidade do momento onde tudo acontece!
Ainda não existia muito o conceito de sustentabilidade na cidade, comparando com a Bélgica ou a Alemanha, e tem sido muito bom ver a cidade e evoluir nesse sentido.

Outra razão é que o estar em Lisboa permite-nos testar o produto com várias nacionalidades, o que tem sido ótimo. E como não poderia estar a apostar na cidade que me viu nascer e que me inspira todos os dias!?

 

(F) Sendo que a produção se apresenta 100% portuguesa, como considera o reconhecimento da marca em Portugal? Acha que é necessário modificar alguns aspetos para que a marca tenha o reconhecimento merecedor?

(CC): Agora tenho de ter cuidado a responder!
As mentalidades é o que demora mais tempo a mudar, e por isso, não vale a pena impor um ponto de vista ou conceito a alguém que não o quer entender.
Mas acredito que as pessoas já estão a mudar e a aceitação tem sido muito calorosa.
A indústria da moda é extremamente elitista e alimenta o consumismo descontrolado, e não nos juntarmos a essa indústria por vezes dificulta um pouco o caminho do reconhecimento, no entanto ,acredito que iremos chegar ás pessoas que se preocupam e procuram algo melhor.

 

(F) Qual a inspiração a que recorre para criar as suas peças?

(CC): A minha inspiração principal é o meu público. Procuro sempre criar peças confortáveis e elegantes, e por vezes, aliar ambos é um desafio.
Passear na Antuérpia é sempre uma inspiração, as pessoas têm tanto estilo e sempre com um ar confortável, por vezes passo horas a observar as pessoas lá, é sem dúvida de onde bebo muita inspiração.
Depois o resto da inspiração vem muito por acaso.

Esta coleção, por exemplo, foi inspirada na cidade de Lisboa, nas cores, principalmente, nas pessoas, no ar relaxado que inspiram, o sentar na relva a comer e a falar, o ir tomar um café, as esplanadas. É uma cidade linda que inspira confiança e felicidade, espero que a coleção inspire o mesmo nas mulheres que a usam.

 

 (F): Sendo a designer e fundadora da NÄZ é possível considerar a sua distinção como uma das Startups vencedoras do prémio Startup Voucher pelo IAPMEI. Como descreve essa conquista?

(CC): Não acreditei no início. Esse tipo de incentivos ao empreendedorismo sempre foram muito virados para a tecnologia e a NÄZ não se inseria nessa área de inovação, pelo que uma indústria criativa ganhar esse tipo de apoios e incentivos é realmente mostrar que existe mudança na sociedade.
Existe uma maior aposta naquilo em que Portugal sempre foi bom e que procuram melhorar esse tipo de sectores em vez de forçar novos sectores a aparecerem.

Tive o grande apoio da A Montra / The Window na candidatura pelo qual tenho imenso a agradecer pois sem elas não teria sido impossível!

 

(F) Quais são as novidades que a NÄZ nos reserva?

 (CC): Para já um website, além da loja online, com informação e transparência no modo como trabalhamos e na nossa cadeia de abastecimento; estamos também à procura de soluções para o “fim-de-vida” das peças que as clientes compram de modo a ser possível reciclar as mesmas e  uma constante evolução e crescimento na marca de modo a estar sempre ao lado das nossas consumidoras!

 

Com uma largo caminho a percorrer, a NÄZ pretende afirmar a sustentabilidade como um meio rico em glamour, elegância e uma mais-valia para a ecologia.
Como afirma a jovem designer, eu recorri a à sustentabilidade porque acredito que, como designer na atualidade, isso não é uma opção, é obrigatório.

 

 

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