Kapulanaさん Kapulana San

Uma viagem entre África e o Japão

Kapulana さん Kapulana San – uma junção visual de duas culturas, à primeira vista antagónicas. A harmonia entre África e o Japão foi idealizada pela designer Elda Joaquim, que fundou a marca em 2014.

 

Elda Joaquim nasceu a 14 de outubro de 1984. Estudou Arte e Design Têxtil, na Escola Artística António Arroio, curso que terminou em 2003.  Seguiu-se depois um estágio em Restauro Têxtil, no Museu do Teatro. Até 2013, manteve-se afastada do mundo da moda, ocupando-se em outras áreas. Finalmente, em 2014, aposta na sua formação, entre aulas de costura e de modelagem. No mesmo ano, ingressou na Lisbon School Design, no curso de Design de Moda. “Desde que me conheço por gente e das memórias que guardo de criança, é ver desfiles de moda e pensar o que gostaria de criar e não o que gostaria de vestir” revela a designer que sempre soube que acabaria por trabalhar no mundo da moda.

 

“Sempre me despertou curiosidade o que leva alguém a comprar uma peça de roupa ou como pessoas tão diferentes se identificam com a mesma peça de roupa e a vestem de forma tão distinta.”

É no mesmo ano que ingressa no curso de Design de Moda que cria a KapulanaさんKapulana San, uma marca ética e eco-friendly. A sua experiência de vida e maneira de ser resultam, como a sua marca, de uma mistura de culturas. “Nasci em Moçambique, cresci em Portugal, a minha bisavó era indiana, o meu avô muçulmano e sempre adorei o Japão” conta Elda que cresceu rodeada de diversas culturas.

“Quando surge um interesse pela cultura dos outros, descobres que realmente há mais pontos que nos unem do que nos separam.  Acho que embora, às vezes, a moda possa parecer superficial e fútil, é uma das melhores formas de aceitar, misturar e conhecer diferentes culturas.”

  • A KapulanaさんKapulana San

A cultura africana e a japonesa conhecem-se aqui, na KapulanaさんKapulana San: África através da capulana (tecido tradicional) e o Japão através da paixão por kimonos, geishas e da própria cultura oriental. Traduzida “Senhora Kapulana”, a marca nasceu da vontade da designer quando decidiu “misturar capulana, porque sou de Moçambique e o termo San (さん) pois é um título honorífico no Japão, ou seja, é uma forma respeituosa de se referir a alguém”.

As peças únicas projetadas por Elda Joaquim advêm da sua visão distinta e original. “Sempre vi as capulanas serem utilizados da mesma forma, eu quero trabalhá-las de forma diferente, misturá-las com outros tecidos, formas e cortes” conta a mesma. Então, Elda descobriu a forma de ideal de trabalhar o tecido tradicional africano, “como sempre gostei de kimonos, achei que na simplicidade da própria forma da peça e a exuberância dos padrões das capulanas, poderia surgir algo interessante e diferente” justifica a designer.

“Queria fazer peças únicas e não ter obrigatoriedade de seguir uma linha de raciocínio.”

  • Uma marca eco-friendy

Elda Joaquim decidiu não só criar uma marca original como amiga do ambiente, pois a preocupação pela poluição e o desperdício gerados pela moda sempre a acompanharam. Então, entre pesquisas sobre o Japão, descobriu o Boro. Esta técnica utiliza todas as sobras de tecido e tinge-as de índigo. Deste modo, são criadas novas peças onde nenhum pedaço de tecido é desperdiçado. A designer acredita que “cada vez mais a indústria da moda vê a reutilização, a reciclagem e o zero-desperdício como algo que expande a imaginação e a criação e não como algo castrador”.

A fusão de culturas, tentar encontrar pontos em comum e a aceitação entre diferentes culturas são alguns dos motes da Kapulanaさん Kapulana San e por isso, no futuro, serão misturadas outras culturas mas mantendo a África e o Japão.

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