Hugo Courinha

Hugo Corinha é o criador da DONT EXIST – “capaz de redefinir limites, quebrar barreiras e criar imaginários capazes de desafiar as definições convencionais de género”, tal como o próprio diz. Afinal, o estilista defende que “tudo está relacionado com sexo” e por isso desenvolve colecções assentes em “peças com uma linguagem universal que não definem o género”.

É da geração de 1987. Com formação em Produção Artística de Têxteis (na Escola Secundária Artística António Arroio), em Alfaiataria e Chapéus e Aplicações de Cabeça (no Centro de Formação CIVEC), e ainda em Alta Costura, Hugo Corinha tem um longo percurso na área da moda. A mais recente formação, entre 2011 e 2015, foi em Design de Moda com especialização em Modelagem. O ano que se seguiu marcou a carreira: criou a DONT EXIST, marca que caracteriza como “bicho da sociedade, sem ela nada faria sentido nas nossas vivências e experiências”.

Para o estilista, os artistas portugueses têm que “evoluir para se encaixar com as diversas opções que há no estrangeiro”. Salienta portanto a necessidade do esforço, dedicação e trabalho, uma vez que há “um enorme trabalho por fazer no sentido que não somos conhecidos pelas grandes obras autorais ou pela criatividade e se formos criativos parte da necessidade, contudo o produto português é reconhecido pelo ‘saber fazer’”. A criatividade tem por isso que se unir ao que é solicitado pelo mercado de trabalho, entendendo que “existe um mercado de moda ‘brands’ que abalam com o mercado de pequenas marcas e que estas mesmas se foram adaptando ao mercado para não perder o lugar”.

À FAIRE, Hugo explicou que “a moda é uma procura daquilo que somos na realidade. Aquilo que está dentro e temos que colocar cá
fora. Independentemente das questões sociais que nunca podemos deixar de parte”
, salientando que [para ele], “as peças têm que ser fáceis de vestir”. A praticabilidade e versatilidade tornam as peças da DONT EXIST como uma não-barreira social. Sabendo da inevitabilidade da existência de preconceito, “é algo inerente ao nosso comportamento animal e social”, Hugo Corinha acredita que é necessário lutar pelo término destes obstáculos sociais e defender uma moda justa e igualitária.

Aos mais jovens, não deixa conselhos. Apenas lhes pede que “aprendam com tudo, com as pessoas”. Acredita que [estas] “são a maior lição para aprender. As pessoas são o nosso reflexo: seja ele positivo ou negativo”. Apela ainda a que os que queiram entrar no mundo do design de moda “sejam esponjas. Sejam cabeça livre e aprendam a aprender. Nunca fiquem ultrapassados e todos os dias aprendam com tudo. Nunca tenham dados adquiridos”.

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