Teatro Praga: A tragédia e o despertar

Os manuscritos do século XIX podem fazer história. As vivências trágicas da juventude podem fazer história. O Teatro Praga faz história.

Com estreia nacional a 24 de Fevereiro do presente ano, no Centro Cultural de Belém (Lisboa), a Companhia Teatro Praga não poderia suster a sua criatividade apenas nas ruelas lisboetas. É desta forma que chega às salas do Teatro Nacional São João do Porto (TNSJ), com Despertar da Primavera: uma tragédia de juventude, esta quinta feira (13 de julho), pelas 21:00h.

O original do expressionista Frank Wedekind ditava em 1891 a problemática de um grupo de adolescentes que teimava em contestar uma sociedade conservadora e moralista.
A conversa com que a obra terminada é a realidade sintetizada do enredo da criação do Teatro Praga, “A conversa entre dois vivos e um morto num cemitério, junto à campa de Wendla Bergmann, rapariga de 13 anos que faleceu vítima de um aborto a que foi forçada pela mãe. O seu apaixonado, Melchior Gabor, recebe a visita do seu melhor amigo, Moritz Stiefel, que traz a cabeça debaixo do braço. Moritz suicidou-se porque não passou de ano na escola e não se sentia capaz de enfrentar os pais. Vem oferecer a sua mão a Melchior, convidá-lo a morrer. Mas Melchior aceita a mão de um outro, a do Senhor Disfarçado, figura primaveril que impede mais uma morte (…)” afirma a companhia de teatro na apresentação da peça.

A encenação de Pedro Penim retrata dicotomias presentes na obra, desde a crueldade ao amor,  a intolerância geracional, a vida, e de imediato o suicídio, a tradição e a sua inexistência.

A exploração do expressionismo lírico, detentor de uma unicidade (pre)matura da adolescência que evidencia uma identidade muito própria, é representada na interpretação de  André Teodósio, Cláudia Jardim, Cláudio Fernandes, Diogo Bento, Gonçal c Ferreira, João Abreu, Mafalda Banquart, Óscar Silva, Patrícia da Silva, Pedro Zegre Penim, Rafaela Jacinto, Sara Leite e Xana Novais.

O Despertar da Primavera  assume-se como “a casa ocupada por uma puberdade longe da Natureza, da sujeição de um corpo a outro, da construção de identidades, em rito emancipatório e resistindo a todas as normalizações tradicionais.” Um território perdido que insiste na banalização de uma referência exata, na divisão e na assimilação por conseguinte. O desespero evidencia a vida e o suicídio a batalha conseguida.

É um espetáculo que se edifica na descoberta da humanidade por inventar e que já possui o “passe” disponível para participar na viagem do entendimento, que estará em apresentação a partir do dia 13 de julho até 23 de julho.

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