Ricardo de Sá – Música e Representação 

“Histórias”, “Epifânia” e “Manifesto”: a Evolução de quem tem tanto para dizer… 

Atualmente, Ricardo, conta com uma equipa de pessoas que trabalham consigo, mas nem sempre foi assim. Desde cedo que necessitou de ser o mesmo a investir no sei projeto, o que ainda se prolonga com muita dedicação, “hoje em dia já tenho uma máquina de pessoas que trabalham comigo, (…), mas até há bem pouco era eu que fazia tudo isso sozinho … e acho que isso é importante, fazê-lo por amor à arte.”, assume o artista. 

Quanto à evolução do seu trabalho artístico musical, o primeiro álbum, “Histórias” (2014) reflete a procura do que artista tinha para dar. Tal como o mesmo afirma, “Fiz 16 músicas e cada música é de um género diferente. E essa evolução é o mais transparente possível enquanto pessoa e enquanto artista. Tive pessoas a dizerem-me “devias de ter uma linha condutora…” e eu “não, se me apetece fazer uma balada, faço uma balada, se me apetece fazer um reggie faço. Se me apetece fazer um rock ou algo mais soul…”, assegurou.  

Introduzindo novas formas de “brincar” com a música, provavelmente devido às suas influências musicais, o “pitch” o “vocoder” e “talk box”, conceitos associados à estética musical, são técnicas introduzidas no seu último EP que, como o mesmo indica agem inevitavelmente como um manifesto. 

No que compete às letras das músicas do artista, o mesmo revela que não detém uma em concreto com o qual se identifica mais pois, todas têm parte de si e das suas vivencias. Ainda assim, considera curioso o facto de, na maioria das vezes, não se rever de imediato em algumas das letras. A sua veia de interprete mostra-lhe que, com o tempo, os olhares conectam-se com os acontecimentos, assim como as letras, “Eu por vezes escrevo letras e faço as músicas e canto-as como um intérprete e isto é curioso porque, só passado algum tempo depois, até mesmo meses ou anos depois é que me identifico e as compreendo realmente”.

Recorrendo a uma das suas mais recentes letras, “Arte” presentes no EP, determina que a mesma se assume como a apresentação da nova linha que quer seguir e, o pré refrão “e daqui para frente, eu vou ser diferente, vou ser transparente, eu vou fazer arte e tu vais fazer parte.”, cujo escreveu num momento de reflexão, à beira mar, é reflexo do que pretende fazer, “a Arte, é um statement e acho que um artista, seja ator, letrista, compositor, instrumentista, realizador aliás até vou mais longe, qualquer pessoa, tem que ter um momento de reflexão da sua própria vida … e quanto mais sinceros formos connosco mesmos, mais sinceros vamos ser com os outros.”

Com calafrios um tanto leves, Ricardo recorda um dos momentos que mais marcaram a sua carreira, no qual gravou os seus videoclipes no Tivoli, em Lisboa, e que, coincidentemente era o local onde estava a ser entrevistado pela FAIRE, “Quando estava a representar no espetáculo de teatro “Casa Suite”, c uma peça muito aclamada por parte do público (…) gravei um videoclipe. Videoclipe esse que foi em memória à minha avó. Uma pessoa que foi muito importante para mim e tocou-me, a mãe da minha mãe e, essa música, chama-se “Voz Guia”.” Recorrendo às suas gavetas emocionais, Ricardo de Sá tenta alimentar os ouvidos daqueles que o ouvem na sua forma mais transparente para que os mesmos se revejam na sua própria história. 

Para surpresa daqueles que ouvem o artista ele revela o seu gosto e interessa pela pintura, no qual menciona a influência de Pollock não só na área, como também, na sua vida. 

As influências que, numa ótica mais pessoal, guiam o artista, a nível geral, são:  Jonhnny Depp, Tim Burton (realizador dos filmes de Jonhnny Deep) e António Variações e, com uma ligação transcendente, o seu avô “há uma pessoa muito especial, o meu avô, sempre teve menos de que toda gente, sempre teve pouco, e nunca o vi sem um sorriso na cara, é grato à vida. Um homem que independentemente dos seus problemas consegue ser bom para as pessoas. Quem vai ler esta entrevista, vai-se identificar com alguém da sua vida que seja assim e, às vezes, as pessoas esquecem-se.”, admite. 

Dos próximos rumos aos conselhos memoráveis 

Numa visão musical, o principal objetivo é trabalhar na divulgação do EP para que chegue ainda mais longe e a mais pessoas, de maneira que irá ser lançado um segundo single antes do Verão, com o intuito de complementar tudo o que colocou em voga. 

Não menos importante, na área da representação, o ator encontra-se em preparação física para novos projetos e novas personagens e, conta ainda com o desenvolvimento da sua websérie “Com pés e medidas”, no qual as pessoas podem assistir a conteúdos relacionados com o seu dia, nomeadamente, à sua transformação física. 

Em jeito de suspense, revela ainda a existência de “outras ideias na gaveta”, Quem sabe, posso ter aí uma grande campanha, em Portugal, de Norte a Sul mais tarde, com uma coisa também em algo diferente.”, algo a fazer através da arte.

A possível participação no X Factor U.K. é algo que fica em aberto pois, o mesmo lamenta o facto de Portugal se fechar e colocar numa posição demasiado pequena para se fazer ouvir, “Há uma grande diferença, uma coisa é eu estar a fazer música em Portugal, outra é estar a fazê-lo para o mundo inteiro. Ainda não pensei muito sobre isso, mas, se for avante com a ideia, à uma coisa que eu garanto, pode ser uma hipótese remota porque obviamente tenho algumas coisas em que pensar, mas se acontecesse, eu não iria mudar a minha personalidade.” 

Em termo de comparação, o artista confronta diversas perspetivas dos talents show dos dois países e a forma como são, em algumas das vezes, marionetas no seio da cultura comercial, no qual evidencia o papel dos produtores como influência em muitos casos. 

A crença na possibilidade de fazermos mais e melhor é o seio da mensagem de Ricardo, “Se nós não acreditarmos em nós mesmos, ninguém vai acreditar, seja qual for a profissão. (…) Faz parte de um artista ser inseguro, faz parte de um artista ter questões, e é importante que oiçam criticas construtivas das pessoas mais próximas.”.

 Admitindo que o termo carreira não existe na sua forma mais superficial, o que persiste é a luta do dia-a-dia, uma batalha que para ser alcançada necessita de dedicação e paixão e, é desta forma, que Ricardo Sá se apresenta como “O Manifesto”.  

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