O Que Seria da BESSA DESIGN Sem Memórias?!

As peças que contam estórias…

A Arte Portuguesa tem apresentado uma genuidade e desenvolvimento cada vez mais evolutivo e enriquecedor, no qual a essência portuguesa cristaliza as casas luxuosas distribuídas pelo mundo.  Estivemos à conversa com o João Bessa, para compreender o desenvolvimento do projeto BESSA DESIGN.
João Bessa, de 28 anos, após percorrer diversas marcas internacionais, devolveu o encanto às técnicas tradicionais, através das suas criações contemporâneas, atribuindo-lhes um novo entendimento.
As matemáticas foram uma opção e o Design foi a escolha final,

Eu nem sempre estive em Design, nem nesta área. Segui o agrupamento da opção 3 de Economia – 10º, 11º e 12ºano e a partir daí, enfim, correu tudo como tinha de correr. Entrei no 1º ano de faculdade em Gestão e no final do primeiro ano é que resolvi mudar para Design. Não sabia ao certo que área é que queria seguir, contudo, sabia que não queria Economia nem Gestão.
Na altura queria Design de Moda e por acaso é curioso pois organizei as Jornadas de Arquitetura e Design, na Universidade Lusíada do Porto ,e acabei por convidar a Boca do Lobo para dar uma conferência. 

Após ser convidado para realizar um workshop na marca Boca do Lobo, o seu Verão perdeu as horas de praia mas ganhou uma experiência e uma paixão incalculável, seguidas por um trabalho remunerado e, posteriormente, um estágio.

O gosto pelo que criava começou por questionar a ideia de edificar um projeto de renome e, como tal, surge assim a Bessa Design, sem programação ou demasiados estudos, os alicerces foram-se edificando aos poucos até aos dias de hoje,

Após trabalhar na Boca do Lobo, comecei a ganhar o gosto por aquilo. Apaixonei-me um bocado por esta área e pensei em focar o tempo que dispensava naquele trabalho num projeto meu, um pouco semelhante porque se trata de mobiliário e peças para o setor casa mas com outro tipo de conceito, afirma João.

Em 2015, presenciou-se o nascimento da BESSA DESIGN. Caraterizada como uma marca inovadora, a sua distinção revela-se essencialmente no sentimento nostálgico que desperta através do design.
Procurando inspiração em acontecimentos do passado e em objetos de cariz familiar, o jovem designer recuperou as técnicas de produção artesanal para criar peças exclusivas.

A produção artesanal como referência da marca

As técnicas artesanais são um dos elementos que distingue a BESSA DESIGN das marcas de produção em massa e os obstáculos que vão surgindo em todo o processo de fabricação estão longe de ser um elemento equiparável às máquinas standard,

As dificuldades são muitas. A produção é muito mais complexa. É preciso muito mais carinho e amor pois tratam-se de poucas peças de uma produção, de alguma forma, elaborada porque para fazer coisas fáceis o mercado está cheio e as máquinas podem realizá-lo. (…) Nós valorizamos esta prática artesanal pois para além de ter a haver com a marca nós conseguimos customizar peças para os clientes.
(…)A exclusividade, o target que nós elegemos, o cliente exclusivo, tem tudo a haver com o produzir algo para um cliente que quer ter aquilo que mais ninguém tem.
Por vezes temos uma peça em catálogo e pedem-nos para acrescentar algo mais. Dentro dos próprios produtos os clientes pedem para modificar algo, completa o jovem designer.

A bagagem histórica que reside na técnica em si é algo que possuí um relevo sobre a marca, não só pela sua exigência como também pela própria distinção no que compete ao marketing e ao mercado mobiliário.
Como João Bessa afirma,

Também promovemos a história do próprio artesão e do seu talento porque, isso é, essencialmente, um talento que se foi perdendo com o avanço da industrialização e com a produção massificada.
Aliás, assim como outras marcas que recorrem à mesma produção que a nossa, o nosso maior problema é conseguir arranjar pessoas que possuam este know-how. (…) No fundo acabamos por contribuir para que esta técnica reaviva.

A “nobreza” da BESSA DESIGN

A paixão, a exclusividade, a excelência, a produção artesanal, a tradição e a inovação são os principais alicerces que regem toda a criação da BESSA DESIGN.
O designer revela que, quando criou o conceito não tinha consciência do impacto que teria, pois a promoção que realizam de tal é essencial e tem apresentado uma evolução positiva, como é possível verificar nas vendas das peças.
O facto de cada peça possuir uma história com que cada pessoa se identifique, permite a criação de uma ligação com a mesma.

“A mudança que observamos de empresa para empresa é apenas a estética, o que não difere da nossa, contudo, nós temos esse conceito das memórias apaixonantes e da nostalgia que, embora, as pessoas possam pensar que isto não acrescenta nada de novo ao produto, que não trás nada para o mercado, estão redondamente enganadas pois é algo muito importante (…) isto é o nosso bem mais rico”, acrescenta o designer.

A “estranheza” com que as pessoas podem “olhar” para a peça contemporânea como João Bessa afirma, rapidamente é ultrapassada pela familiaridade que é transmitida pela história da peça e todo o conceito que a mesma retrata.

A inspiração pode ser  proveniente de estilos, personalidades artísticas e numa história pelo qual nós passamos,

Uma das peças da nova coleção é inspirada no baile de finalistas. Um cultura que surgiu nos E.U.A, o chamado prom e que já começou a acontecer aqui, até a nossa geração. Também quero fazer com que essa geração, para além das mais antigas, esteja ligada à marca.

No que compete aos materiais, o designer admite a utilização de materiais apenas de excelência, pois o cliente paga esse material que permite a exclusividade da peça. “Os clientes da Bessa não gostam de banhos de ouro entre outros, então preferimos usufruir de materiais mais nobres.”
Os materiais essencialmente utilizados pela Bessa Design além do ouro são: o filigrama, o latão e as mármores.

Uma decoração dedicada à luxúria e à unicidade, interpretando o ‘novo velho’,  apresenta como missão construir uma nova denominação de decoração de interiores conotando uma ligação entre o espaço físico e emocional, que permite a recriação da elegância dos séculos anteriores.

A internacionalização da Marca e a eleição de “Melhor marca do ano de 2016″

A Associação Portuguesa das Indústrias de Imobiliário e Afins (APIMA) foi um dos apoios essenciais para que a marca Bessa Design se apresentasse internacionalmente.
O designer reconhece a associação como um apoio essencial não só para a Bessa Designer como também para outras empresas portuguesas,

Andei algum tempo, através da Bessa, a promover o meu trabalho em Portugal. Confesso que agora não é fácil, mas no início era ainda mais complicado e, estava a tornar-se difícil manter uma empresa sem as vendas que, por exemplo, temos hoje.
Assim sendo, senti a necessidade de internacionalizar a Bessa e até mesmo realizar o percurso inverso, isto é, começarmos lá fora e, tendo o reconhecimento lá fora, possuiríamos um maior reconhecimento em Portugal.
Sim porque nós somos um pouco preconceituosos, e contra mim falo porque quando era mais pequeno gostava do que havia lá de fora. Hoje tenho uma marca portuguesa e penso completamente o oposto.

O designer faz ainda referência a todo o processo que decorreu relativamente à sua participação nas feiras internacionais, no qual a associação cobre 50% de todos os custos a que as marcas estão sujeitas nas mesmas, desde o transporte aos catálogos.
Com a participação no roteiro das melhores feiras do mundo, Londres, Milão e Paris, João Bessa reconhece o mérito e trabalho da associação que tem sido uma mais valia para a internacionalização da marca.

A crença de que a BESSA DESIGN chegaria longe sempre persistiu,

Eu sempre acreditei neste processo evolutivo, mas confesso que tem sido mais rápido do que esperava. Tivemos um início atribulado e foi apenas à pouco tempo que a Bessa teve os seus paços significativos.
O ano passado fomos a Londres, já tínhamos estado também na Alemanha, mas confesso que foi a partir dessa viagem a Londres que as coisas começaram a evoluir um pouco mais do que esperava e depois com esta ida a Paris agora em Janeiro.
Acredito que as feiras foram uma mais valia pois não é fácil vender uma peça de milhares de euros a um cliente sendo uma empresa recente ou pequena, as pessoas não acreditam. É preciso confiança. , afirmou.

O foco em criar mais produtos foi outra inovação que o designer reconhece como essencial pois, como o mesmo determina, é necessário possuir um portefólio completo e múltiplo pois despertará uma maior confiança no consumidor.
O esforço e a dedicação foram ainda outras caraterísticas exemplares que referiu mencionando ainda o esforço de Pedro Ferreira, comercial da Bessa Design.

A eleição do Porto como residência do espaço físico foi uma opção que assentava não só na grande estratificação industrial muito diversificada, sendo que os melhores artesãos se localizam no Porto, afirma, mas também como uma opção pessoal do designer que adveio dos estudos realizados na cidade portuense.

100% Portuguesa!

Sendo uma produção inteiramente nacional, o designer reconhece alguns alicerces que necessitariam de modificar para que as marcas portuguesas possam ter uma maior reconhecimento,

Eu acho que para as pessoas aceitarem melhor o que é português, tudo isso tem a haver com a cultura e tudo aquilo que nos ensinaram. Não sei se em algum momento as marcas internacionais conseguiram ser melhores que as nossas mas atualmente isso já não é bem assim.
Nós temos imenso potencial em Portugal, imensas empresas internacionais que produzem cá! Eu acho que nós ao procurarmos o sucesso lá fora e na internacionalização, além de vendermos lá fora, penso que as pessoas vão começar a acreditar nas empresas portuguesas.
Provavelmente esse processo tem sido um pouco lento para as pessoas não descriminarem as marcas portuguesas porque são poucas as empresas que se conseguem internacionalizar.

Refere ainda que a originalidade deveria ser uma máxima em todas as empresas portuguesas, tanto como a qualidade e a criatividade pois, isso será o essencial para o mérito português que, segundo o designer, tem sido um pouco esquecido em certos momentos.

Eleita a melhor marca do ano de 2016, traça uma harmonia entre diversas técnicas que assinalam milhares de anos na história de arte, no glamour dos anos 30 e ainda na admiração por personalidades inesquecíveis como Gaudi.
Com a necessidade de evoluir, assinalam-se como clientes habituais os russos, marroquinos, chineses e árabes.
O número de clientes tende a aumentar após a visita a Paris, sendo que o Egipto possui clientes interessados no trabalho do CEO do grupo, João Bessa.

A BESSA DESIGN, segundo João Bessa, vai percorrer um caminho mais “estreito”, isto é, coleções com um rigor superior, especial e diferente, obras de arte com uma exclusividade incalculável.
O designer promete ter peças ainda mais luxuosas, artísticas e diferentes assim como uma promoção maioritariamente emotiva onde a peça não é encarada como um produto “sem olhar às despesas” como o mesmo afirma.
No que compete às coleções,

Para além das peças relacionadas com o baile de finalistas como referi, nós vamos ter uma peça que vai andar em torno da história dos momentos que passamos ao luar, peças que remetem para as histórias mais queridas e mágicas que passamos com as nossas avós; vamos ter ainda peças de eleição ilimitada que explora um pouco a magia do Olimpo, dos deuses, como por exemplo Apólo (deus da arte) que vai ser uma das figuras apresentadas,  que explora a arte clássica; temos outra coleção que se chamará “Primitive” , que possui um conceito essencialmente primitivo, porque o design é primitivo. Se recorrermos aos tempos das Cavernas as pessoas faziam as suas refeições em cima de pedras, que serviam de mesa, isso é design. E, por último, vamos apresentar um peça que anda em torno da história do tempo dos nossos avós, muito ligada aos escorrimentos da cera, uma peça de iluminação traduzida nas velas.

Denominando-se como uma pessoa extremamente apaixonada pelo que faz e pelas suas memórias como um contributo para o que é hoje,  São os momentos pelo qual passei que me definem. Nunca me esqueço do que de bom essas memórias têm e espero que isso seja transmitido às pessoas. 

Portugal ainda não detém um local no pódio de maiores compradores, contudo, o mesmo não é possível afirmar na sua produção e no reconhecimento internacional do designer.

“Através do design, pretendo trazer um bom nome e uma boa imagem para o país, assim como um Cristiano Ronaldo do futebol.”

 

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