A NOITE NEGRA DOS GLOBOS DE OURO

A 75ª cerimónia dos Globos de Ouro prometia ser diferente, a começar pelo dress code. Nomeados e convidados vestiram-se de preto em homenagem a todas as mulheres que decidiram quebrar o silêncio e partilhar as suas histórias de assédio sexual em Hollywood.

A iniciativa pintou o hotel Beverly Hilton, em Beverly Hills, de negro e foram vários os vencedores e vencedoras que chamaram a atenção para a importância de dar voz a quem geralmente não a tem. Reese Witherspoon — que subiu ao palco do International Ballroom juntamente com o elenco de “Big Little Lies” para receber o prémio de “Melhor Série” — garantiu que as histórias daqueles foram vítima de abuso ou assédio vão continuar a ser contadas. “Nós conseguimos ver-vos.”

Meryl Streep, Hugh Jackman, Chris Hemsworth, Jessica Biel, Justin Timberlake, Catherine Zeta-Jones, Dakota Johnson, Emma Watson e as crianças da série “Stranger Things” foram alguns dos atores que chegaram à celebração vestidos de negro.

“Este movimento é muito importante; é apenas um pequeno gesto, mas espero que conduza a grandes mudanças. “Quando tiverem necessidade, as mulheres têm de ser escutadas, apoiadas”, disse à agência noticiosa Efe Moliana, nomeado pela série norte-americana “Feud”.

A primeira de muitas a subir ao palco foi Nicole Kidman, que venceu na categoria de “Melhor Atriz” pelo papel na mini-série “Big Little Lies”, produzida pela HBO. Descrevendo o galardão como um símbolo “do poder das mulheres”, Kidman agradeceu a todo o elenco — constituído maioritariamente por mulheres –, mas sobretudo à colega e amiga Reese Witherspoon, uma das produtoras executivas, juntamente com a atriz australiana. A dedicatória, porém, foi para outra mulher — a mãe, Janelle Kidman, “uma defensora dos direitos das mulheres”. “É por causa dela que estou aqui”, disse a atriz australiana. “O meu prémio é o prémio dela. Eu e a minha irmã, Antonia, agradecemos-te por aquilo por que lutaste durante tanto tempo”, afirmou, descrevendo a personagem que representa em “Big Little Lies”, Celeste Wright, como uma representação daquilo que se encontra atualmente “no centro da conversa” — “o abuso”. “Acredito e espero que podemos mudar [o mundo] com as histórias que contamos e com a forma como as contamos. Vamos manter a conversa viva.”

A série “Big Little Lies” foi uma das grandes vencedoras da noite, com quatro Globos de Ouro, incluindo na categoria de “Melhor Mini-Série” (Paul Drinkwater/NBCUniversal via Getty Images)

O Globo de Ouro para “Melhor Ator” num filme de drama foi, também para surpresas, para Gary Oldman pela sua interpretação de Winston Churchill em “Darkest Hour”. Durante o discurso de agradecimento, o ator fez questão de frisar que “as palavras e as ações podem mudar o mundo”. “E, oh, se ele precisa de mudanças!”, disse, antes de abandonar o palco. O prémio de “Melhor Atriz” foi para Frances McDormand, pelo papel de Mildred — uma mãe determinada a descobrir quem assassinou a filha — em “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”, que venceu na categoria de “Melhor Drama”. McDormand, que admitiu não gostar muito de partilhar as suas opiniões políticas, confessou que foi “bom estar” no International Ballroom “e fazer parte da mudança tectónica na estrutura de poder da nossa indústria”. “Acreditem: as mulheres que estão aqui esta noite não estão cá pela comida. Estão aqui pelo trabalho.”

O filme “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”, realizado Martin McDonagh, ganhou na categoria “Melhor Drama”. A atriz Frances McDormand também levou um Globo de Ouro para casa (Paul Drinkwater/NBCUniversal via Getty Images)

A iniciativa juntou-se à ação desencadeada por mais de 300 mulheres poderosas de Hollywood, onde se incluem Meryl Streep e Eva Longoria, que lançaram recentemente um fundo de defesa legal destinado a ajudar as mulheres menos privilegiadas a defenderem-se de possíveis abusos sexuais no local de trabalho.

Este fundo de defesa legal designado “Time’s Up” já garantiu mais de 13 milhões de dólares (10,7 milhões de euros) em doações e procura ajudar estas mulheres com baixos salários a protegerem-se das consequências que podem surgir após a denúncia de abusos sexuais.

Categorias de cinema

Melhor Ator Secundário: Sam Rockwell, “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”

• Melhor Banda Sonora: Alexandre Desplat, “The Shape of Water”

• Melhor Canção: “This is Me” (Benj Pasek e Justin Paul), do filme “The Greatest Showman”

• Melhor Ator (Comédia ou Musical): James Franco, “The Disaster Artist”

• Melhor Filme de Animação: “Coco” (Pixar)

• Melhor Atriz Secundária: Allison Janney, “I, Tonya”

• Melhor Guião: Martin McDonagh, “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”

• Melhor Filme Estrangeiro: “In the Fade” (Alemanha/França)

• Melhor Realizador: Guillermo del Toro, “The Shape of Water”

• Melhor Atriz (Comédia ou Musical): Saoirse Ronan, “Lady Bird”

• Melhor Comédia: “Lady Bird”

• Melhor Ator (Drama): Gary Oldman, “Darkest Hour”

• Melhor Atriz (Drama): Frances McDormand, “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”

• Melhor Drama: Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”

Categorias de televisão

Melhor Atriz (Mini-Série): Nicole Kidman, “Big Little Lies”

• Melhor Atriz (Comédia): Rachel Brosnahan, “The Marvelous Mrs. Maisel”

• Melhor Atriz (Drama): Elisabeth Moss, “The Handmaid’s Tale”

• Melhor Ator (Drama): Sterling K. Brown, “This Is Us”

• Melhor Série (Drama): “The Handmaid’s Tale” (Hulu)

• Melhor Ator Secundário: Alexander Skarsgard: “Big Little Lies”

• Melhor Atriz Secundária: Laura Dern, “Big Little Lies”

• Melhor Ator (Mini-Série): Ewan McGregor, “Fargo”

• Melhor Série (Comédia ou Musical): “The Marvelous Mrs. Maisel” (Amazon)

• Melhor Ator (Comédia ou Musical): Aziz Ansari, “Master of None”

• Melhor Mini-Série ou Filme Produzido para a Televisão: “Big Little Lies” (HBO)

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