MIMO FESTIVAL: Das Cordas Portuguesas à Frenética Alegria Brasileira

Foi por volta das 18h da tarde que Amarante se consagrava como o destino final. Todos os caminhos iam dar ao MIMO Festival!

A multidão chegava ao Parque Ribeirinho e aos Claustros do Museu de Amadeo-Souza Cardoso sucessivamente. Dava-se por inaugurada a exposição “Os Modernistas. Amigos e Contemporâneos de Amadeo de Souza-Cardoso, Colecção Millennium bcp”.  Aguardava-se Marcio Debellian, realizador do filme “Fevereiros” depois de grandes concertos de artistas como Marta Pereira Costa e Mathew Whitaker Trio – uma guitarrista e um jovem pianista que certamente fizeram história. Foi desta forma que se iniciou o primeiro dia do Festival mais aguardado do país.

As ruas Amarantinas pintavam o cenário com as cores que percorriam a Igreja de S. Gonçalo até ao palco principal. Vozes alemãs, brasileiras, americanas, francesas e portuguesas faziam-se ouvir. O internacionalismo deixara de ser um pretexto e passava a ser um motivo consistente para ouvir as diversas vozes do mundo.

Caía a noite e foi por volta das 21:00h que os Timbila Muzimba subiram ao palco com um essência que contagiava cada pessoa do público. As influências tradicionais e contemporâneas e ritmos como reggae rock, hip-hop e jazz eram nítidas por entre as harmonias que completavam o concerto.

É nessa mesma onda de contagio que os Dona Onete enchem o Parque Ribeirinho. Amarante cantava o “Banzeiro” com garras e raízes brasileiras

O público revelava uma alegria incalculável no qual pessoas de todas as idades dançavam sem que o movimento de estagnar tivesse qualquer oportunidade de invadir o corpo dos demais. Como diria Dona Onete, “a gente se mistura … swing no garimbó”. 

Amarante parou, assim como o resto do mundo para ouvir as canções e composições que se seguiam a “Proposta Indecente”, “Meio do Pitiú” e “Boto Namorador”, entre muitas outras.

Com uma participação que não seria estreia no Mimo Festival que, como a mesma afirma, tivera sido em Ouro Preto, no Brasil, Dona Onete recorre a uma mensagem um todo peculiar: afirmar a liberdade no Brasil e no resto do mundo.

Com uma carreira que se iniciaria aos 72 anos de idade, Dona Onete e os artistas que completam a sua banda, revelavam uma poesia rítmica que reunia uma sintonia com a construção de cada das notas e das palavras. As luzes contornavam os passos de “garimbó”. A frenética alegre era o espelho de um show que a artista considerara “maravilhoso”.

DEAD COMBO foram também uma referência que não passou despercebida no palco principal do MIMO Festival. Pedro Gonçalves e Tó Trips desencadearam um conceito de sintonia desconcertante que nos remetia para uma consistência musical despertante.

A reta final do dia terminou com Baiana System e o DJ Farofa no qual ao ritmos brasileiros transcenderam.

 

 

 

 

 

 Newsletter