Marta Hurst

Filha de pai britânico e mãe portuguesa, Marta Hurst encontrou, no Desporto, o bem-estar que desde pequena procurava. Com 24 anos, a atleta profissional de voleibol feminino conta com cinco modalidades praticadas e quando fala sobre preconceito para com as mulheres, defende que é uma noção que “está a ter progressos, no sentido de haver mais igualdade no Desporto, mas todas as modalidades ainda sofrem muito com isso”. À FAIRE explica que apesar da dificuldade em “conciliar os estudos com os treinos e com o tempo de descanso e convívio com familiares e amigos”, as idas à Selecção Nacional são “uma experiência diferente, pois treina-se com as melhores e o ritmo e nível de treino é muito bom”.

A relação de Marta com o desporto começou com a natação, que praticou durante 15 anos. A equitação – onde esteve durante quatro anos – pertence ao leque desportivo da atleta que praticou karaté durante sete anos. O futebol surgiu em paralelo com o voleibol, no Boavista Futebol Clube. A formação do futebol feminino não oferece competição para as camadas mais jovens e isso “desmotivou um bocado. Ao mesmo tempo que praticava futebol, o meu Professor de Educação Física [que tinha sido jogador de voleibol], perguntou-me se não queria experimentar, porque era alta e poderia ter potencial”. E foi assim que a jovem ingressou no voleibol. A maior organização presente na competição por parte do voleibol, prendeu Marta às redes.


Formada no Colégio do Rosário e no Clube Académico da Trofa, o percurso estava longe de terminado. Quatro épocas seguiram-se no G.D.C. Gueifães. Jogou uma época no Rosário Vólei e, em 2014, transitou para o Porto Vólei. O passo seguinte foi grande: CVB Barça, na SuperLiga.


Na primeira experiência no estrangeiro, Marta Hurst vive um ritmo desportivo intenso:
“em Espanha, o campeonato tem os jogos sempre ao sábado, portanto a nossa folga é ao domingo, tendo treinos todos os dias pela noite. Se o jogo não for ’em casa’, sexta-feira temos que viajar ao final do dia, normalmente por volta das 17h, de modo a não prejudicar as atletas que estudam/trabalham”. Num ano de término de Mestrado, a atleta apostou na internacionalização porque acreditou ser “o melhor momento, pois estava a terminar o meu Mestrado, e assim não afectava os meus estudos, componente que quer eu como os meus pais, consideramos fundamental”. Mas o desporto faz também parte da sua educação, uma vez que “desde pequena que os meus pais acreditam que uma educação completa, tem que ter o Desporto como componente, além de todos os benefícios para o bem-estar que ele aporta, sempre quiseram que estivesse integrada em alguma modalidade”.


Com 58 internacionalizações e a pertencer à Selecção Portuguesa de Voleibol Feminino desde 2010, Marta lamenta que a componente feminina não tenha igual relevância que a masculina.
“Mesmo que esse ‘lado’ [componente feminina] tenha mais sucesso desportivo”, a atleta acredita que as mulheres são vítimas de preconceito, ainda que hajam “progressos no sentido de haver mais igualdade no Desporto, mas todas as modalidades ainda sofrem muito com isso. Da minha experiência ao alto nível com a Selecção e agora a jogar a Superliga espanhola, acho que, apesar do voleibol ser visto pelas pessoas fora da modalidade como um desporto feminino, o masculino continua a ter mais apoios e visibilidade”. Para Marta Hurst, este é um comportamento injusto e representa uma “abertura algo similar a outras modalidades”.

Recorda ainda os tempos de escola em que jogava futebol no recreio, com os rapazes, e estes “chutavam a bola com força de forma propositada para eu não conseguir dominar direito e o facto de não conseguir dominar a bola depois fazia com que os rapazes da minha equipa não me quisessem passar a bola”.

À FAIRE, Marta Hurst transmitiu a necessidade de “continuar a trabalhar muito as noções de compromisso e seriedade”, porque acredita existirem muitos casos de “jovens raparigas que treinam para um contexto social e não para um contexto competitivo”.

“Sei que vai ser sempre mais difícil para as mulheres terem sucesso no Desporto, mas gostaria de deixar uma mensagem de força e persistência, pois cada mulher desportista que treina focada e se dedica a 100% está a dar um passo em frente para a igualdade no Desporto.”

 Newsletter