“LASTRO”: como lidar com a ameaça através do bailado

O Mosteiro São Bento da Vitória vai apresentar o espetáculo da coreógrafa e bailarina Né Barros, Lastro, no dia 18 de Maio (quinta-feira), no qual a ameaça de uma catástrofe iminente e incalculável insiste em ficar.
Será pelas 21.00h que o pano preto cairá e se iniciará a chegada do lado negro do que estará por vir.
O espetáculo chegou ao auditório do Rivoli, no Porto, em Outubro de 2016, sendo  uma co-produção do Teatro Municipal do Porto, Balleteatro e Culturgest.

Com um cenário celeste os movimentos desencadeados pelo corpo criam uma harmonia teatral, algo em mudança, feito de memória.

Um espetáculo inspirado nas teses de Jean-Luc Nancy (filósofo francês) que aborda a “equivalência das catástrofes”, Lastro pretende mostrar diferentes corpos que se produzem repetidamente para combaterem e resistirem à catástrofe que está por chegar, sentindo-se cada vez mais pequenos, mais ocultos.

A apresentação de Lastro deve-se à integração da temática na conferência Pensamento e Catástrofe, que se realizará do dia 18 ao dia 20 de Maio, com a presença de Jean-Luc Nancy, numa iniciativa em conjunto com o Instituto de Filosofia – Aesthetics, Politics and Knowledge Research Group e do i2ADS (FBAP) da Universidade do Porto.

A coreógrafa e diretora  Né Barros, tem criado ao longo do seu percurso profissional uma ligação entre a Dança e a Ciência.
A sua formação iniciou-se em dança clássica, posteriormente, seguiu os movimentos contemporâneos e acomposição coreográfica na Smith College, nos Estados Unidos.

Para além da Companhia Balleteatro, no qual assumiu a direção, trabalha igualmente com o Ballet Gulbenkian, a Companhia Nacional de Bailado e Aura Dance Company.
A arte de dançar é apenas uma das várias artes perfomativas da coreógrafa, a representação e a escrita são também dois dos seus ofícios.
A bailarina representou em teatro e cinema, no qual foi  codiretora do festival de cinema Family Film Project.
No que compete às letras, escreveu o livro Da Materialidade na dança, foi coeditora de Artes Performativas: Novos Discursos, Das Imagens Familiares e coautora de Story Case Print.

O caos instaura-se, “O céu pode cair e seria a última coisa que poderíamos prever.”

 Newsletter