Inês Santos, com alma e ficção

O seu projeto estreou-se com o vídeo Se Eu Pudesse, realizado em 2016, contudo, não foi o primeiro da sua autoria. A melhor do Mundo destacou-se por isso mesmo, sendo o primeiro a ser argumentado e que consequentemente sairia após o primeiro video da jovem.

O seu primeiro vídeo divulgado, ainda que não esteja disponível de momento para visualização, foi um dos vídeos com mais reconhecimento. Foi retirado do Youtube devido a questões de direitos de autor a nível musical, “um lapso de iniciante em que não conhecia todas as normas a tomar”, como afirma Inês.

Sendo o “remo sem oceano”, como a mesma se intitula, a sua motivação permitiu fazer algo com um teor representativo como é o exemplo de 2k18 pode ser o teu ano.

Tendo como principal máxima o desejo de comunicar e expressar tudo aquilo que guarda dentro de si, não pretende “fazer vídeos só porque sim” e, como tal, a sua alma é visível em todos os vídeos que vai produzindo.

A criação de uma identidade visual é algo que vai construindo ao longo do tempo e o fator de orientação recaí essencialmente de acordo com o tema que é criado, “se fizeres algo que não gostas, não vais produzir com alma e certamente não sairá o que idealizas.”, considera a Inês.

Inicialmente, para que tudo fizesse sentido, era necessário unir forças com uma equipa que criou mais do que uma ligação estreitamente profissional. É desta forma que Ana Pereira (vídeo), Filipe Rilho, José Cunha (Design), Inês Silva (vídeo), Cristiana Martins (edição), Mariana Bica (som) e Gabriela Ribeiro (fotografia) chegam até ao projeto de Inês, realizando assim os seus primeiros vídeos.

Atualmente, realiza os seus vídeos de uma forma mais independente pois reconhece a necessidade de aprender mais sobre a realização e produção dos seus vídeos.

No que compete a “senãos”, Inês conta como foi necessário ultrapassar diversos obstáculos, nomeadamente as burocracias, a iniciação, a falta de experiência no mundo da produção e realização e a idade, “uma das coisas que me deixa mais triste é as pessoas olharem para mim e não acreditarem no meu trabalho”.

Atendendo ao seu último trabalho 2k18 pode ser o teu ano, a autodidata revela que falou com pessoas que a inspiravam, como é o exemplo do Wandson. “Tendo imensa exposição nas redes sociais e no Instagram surpreendeu-me pois foi uma das pessoas que aceitou de imediato” contou.

2k18 pode ser o teu ano, da inspiração ao resultado final

A ideia surgiu quando Inês queria levar “mais” a sério a ideia de Inês Santos Filmmaker. Após criar as páginas profissionais, nas redes socais, necessitava de criar conteúdo para que surgisse “aquele buzz” evidenciando a sua presença.

Com o intuito de realizar “vídeos simples que marcassem as pessoas” e, após conversar com a Carolina Franco, surgiu a ideia, “Tudo começou com a Carolina (…) Depois foi delinear todo o processo.” O último vídeo a ser realizado pela Inês foi algo inesperado, “num dia de sol, decidi que queria colocar um vídeo totalmente diferente para terminar a série”, afirma.

O vídeo da Isabel foi um dos que marcou mais a jovem.

Eu não tenho muita visibilidade, mas na pequena parte que tenho, quero fazer a diferença”.  Inês assume que pretende criar algo que faça as pessoas reflectirem e, como tal, considera que o seu último vídeo teve bastante impacto, “em média os vídeos demoravam-me apenas uma madrugada a editar, o dela demorou cerca de uma semana.

Considerando o mais relevante pela jovem Isabel, Inês repensa a ideia da inclusão pois, segundo a mesma, é necessário perceber que são as pequenas coisas que enchem o coração: “o mais relevante para ela era estar em família e isso é o que realmente deveria ser importante”.

As letras também inspiram a Inês

A literatura é algo que preenche também o coração e a alma de Inês e a sua amiga Carolina é uma das grandes responsáveis de tal, “a Carolina teve um forte impacto nas minhas inspirações literárias e na minha iniciação quanto às mesmas.”

As palavras de Jack London e Charles BukoWski são as que realçam o pensamento da Inês e “All the away” é sem dúvida umas das inspirações da jovem.  Apoiando as suas palavras em “All the away”, é o desejo e o prazer que comandam o sonho e a sua associação com o lobo solitário de Jack London é igualmente refletida.

Os cinquentas por centro de tristeza e felicidade que constituem Inês são o seu reflexo de “inconclusividade” e é exatamente isso que a mesma pretende transpor nos seus vídeos. Com o intuito de fazer as pessoas reflectirem, o vídeo Se eu pudesse é a exposição de tal, “aquilo que as pessoas pensam e concluem é o resultado do vídeo. A realidade e a ficção ficam ao critério de cada um”, afirma.

Curtas-Metragens? A caminho!

Com um futuro próximo recheado de novos trabalhos, Inês Santos promete expor as suas duas primeiras curtas-metragens, OverThinking e Over, durante o primeiro trimestre do ano.

O primeiro vídeoclipe da banda Projecto 65 é outro dos seus trabalhos mais recentes. O mesmo guarda em si a presença da música, sendo desde sempre algo que preencheu o mundo de Inês.

Com o objetivo de descobrir o que gosta realmente de fazer dentro do cinema, ou não, Inês considera a palavra História muito forte. Contudo, se o cinema a escolher para fazer História, ficará, certamente, muito contente.

 Newsletter