A grande noite do cinema: 90º dos Óscares

A fasquia estava alta para a 90ª edição dos Óscares da Academia, no Dolby Theatre, em Hollywood, e acabou por ser um dos anos com uma corrida mais renhida para Melhor Filme.

Até ao anúncio do “Melhor Filme”, na reta final da 90ª cerimónia dos Óscares, a noite tinha corrido mais ou menos como previsto. Gary Oldman tinha ganho na categoria de “Melhor Ator”, Frances McDormand na de “Melhor Atriz” e Guillermo del Toro na de “Melhor Realizador”. Olhando para o que tinha acontecido nos Globos de Ouro e nos BAFTA, tudo indicava que “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” (“Três Cartazes à Beira da Estrada”) seria o grande vencedor. Mas não foi isso que aconteceu: del Toro voltou a subir ao palco para receber o prémio de “Melhor Filme” por “The Shape of Water” (“A Forma da Água”).

Ao contrário das cerimónias de entrega de prémios anteriores, que ficaram marcadas pelas mensagens contra o assédio sexual em Hollywood, na 90ª edição dos Óscares falou-se sobretudo de inclusão, de igualdade e de liberdade. Bryan Fogel, realizador de “Icarus”, juntamente com Dan Cogan, disse esperar que o seu documentário fosse uma “chamada de atenção para a Rússia” e, principalmente, “para a importância de dizer a verdade”. Os atores Lupita Nyong’o e Kumail Nunjiani — que apresentaram o Óscar de “Melhor Direção de Arte”, atribuído a “A Forma da Água” — falaram da importância dos sonhadores, enquanto Darla K. Anderson e Lee Unkrich, realizadores de “Coco”, falaram da importância da “representatividade”.

Já o Óscar de “Melhor Curta-Metragem” foi para “The Silent Child”, um filme sobre uma criança que nasceu “num mundo de silêncio”. “Milhões de crianças vivem em silêncio e enfrentam barreiras de comunicação e dificuldades de acesso à educação. A surdez é uma deficiência silenciosa. Não coloca a vida em perigo e não conseguimos vê-la”, disse a realizadora.”

A lista final dos vencedores da 90ª edição dos Óscares é a seguinte:

  • Melhor Filme: “The Shape of Water” (“A Forma da Água”);
  • Melhor Ator: Gary Oldman, em “Darkest Hour” (“A Hora Mais Negra”);
  • Melhor Atriz: Frances McDormand, em “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” (“Três Cartazes à Beira da Estrada”);
  • Melhor Ator Secundário: Sam Rockwell, em “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” (“Três Cartazes à Beira da Estrada”);
  • Melhor Atriz Secundária: Allison Janney, em “I, Tonya” (“Eu, Tonya”);
  • Melhor Realizador: Guillermo del Toro, “The Shape of Water” (“A Forma da Água”)
  • Melhor Filme de Animação: “Coco”;
  • Melhor Curta de Animação: “Dear Basketball”;
  • Melhor Curta-Metragem: “The Silent Child”;
  • Melhor Documentário: “Icarus” (Bryan Fogel e Dan Cogan);
  • Melhor Curta Documental: “Heaven is a Traffic Jam on the 405”;
  • Melhor Montagem: Lee Smith, em “Dunkirk”;
  • Melhor Filme Estrangeiro: “Una Mujer Fantástica” (“Uma Mulher Fantástica”), do Chile;
  • Melhor Fotografia: Roger Deakins, em “Blade Runner 2049”;
  • Melhor Guarda-Roupa: Mark Bridges, em “Phantom Thread” (“A Linha Fantasma”);
  • Melhor Caracterização: Kazuhiro Tsuji, David Malinowski e Lucy Sibbick, em ”Darkest Hour” (“A Hora Mais Negra”);
  • Melhor Banda Sonora: Alexandre Desplat, em “The Shape of Water” (“A Forma da Água);
  • Melhor Canção Original: “Remember Me” (Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez), do filme “Coco”;
  • Melhor Direção de Arte: Paul Denham Austerberry, Shane Vieau e Jeff Melvin, em “The Shape of Water” (“A Forma da Água”);
  • Melhor Edição Sonora: Richard King e Alex Gibson, em “Dunkirk”;
  • Melhor Mistura de Som: Mark Weingarten, Gregg Landaker e Gary A. Rizzo, em “Dunkirk”;
  • Melhores Efeitos Visuais: John Nelson, Paul Lambert, Richard R. Hoover e Gerd Nefzer, em “Blade Runner 2049”;
  • Melhor Argumento Original: Jordan Peele, em “Get Out”;
  • Melhor Argumento Adaptado: James Ivory, em “Call Me By Your Name” (“Chama-me Pelo Teu Nome”).
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