Fotografia: é arte?

Desengane-se quem pensa que a arte serve, apenas e só, para a contemplação dos nossos olhos. Desengane-se quem pensa que a arte é, apenas e só, o pulsar da veia criativa do artista. Desengane-se quem pensa que a arte está, apenas e só, ligada a uma época e aos conceitos da sua génese. Haverá então uma definição para a arte? O que é necessário para que um determinado conceito seja considerado arte? A quem é que é atribuído o direito, a sabedoria e a capacidade de considerar uma obra como sendo arte?

Ao longo da última década, têm sido várias as discussões sobre a consideração da fotografia como uma arte. O consenso não parece ser breve e, até lá chegar, pictorialistas e os seus opositores, fomentam argumentos que alargam a questão. Os primeiros, procuram acabar com ideia de unir a fotografia à arte tradicional, enquanto os segundos defendem que a fotografia é apenas um processo mecânico sem a complexidade do material, da profundidade do material e do talento. Este último raciocínio acaba por se tornar antagónico, uma vez que o conceito de video art já vem sendo integrado neste mundo há largos anos e exige um processo semelhante.

A ausência da mão humana está, portanto, na base do problema. Contudo, André Rouillé, teórico da fotografia, contrapõe esta ideia acrescentando que “a fotografia não depende somente do olho, mas também do espirito”. E não é do espirito dos pintores, atores, cineastas, compositores, escritores, escultores que a arte se manifesta? Em todas as artes mencionadas expressa-se um conceito, uma ideia e tornam o abstrato visível.

Numa época em que metade do mundo luta pela imposição dos direitos humanos e a outra metade os oprime, a fotografia compõe um forte cariz de intervenção social com o objetivo de chamar à atenção dos mais distantes, aquilo que se passa do outro lado do mundo ou até debaixo do nosso próprio nariz. Tal como já fizeram tantos outros tipos de arte.

A Faire sugere uma visita à exposição “Don’t tell them, Show them” de Ruben Mália e Tiago Lopes, na Galeria Geraldes da Silva, no Porto. A exposição estará presente até ao dia 22 de Junho e compõe uma seleção de fotos captadas pelos estímulos que as cidades do Porto e de Lisboa despertam nos fotógrafos.

 

(Fotografia do tumblr pessoal de Tiago Lopes)

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