As estórias dos que “pensavam ser imortais”

Diria Osvaldo Dragún “…e pensávamos que eram imortais, mas esse foi apenas o primeiro passo.” Diria apenas pois estas palavras são de um poeta disfarçado de encenador, Roberto Merino.

 

A Escola Superior Artística do Porto leva-nos rumo às origens latinas através das palavras de Osvaldo Dragún, com a apresentação pública da sua peça final, “… e Pensávamos que eram imortais” num dos locais com grande relevância nas artes performativas em Portugal – Mosteiro São Bento da Vitória-  no dia 25 de julho, pelas 21:00h, prolongando-se assim até dia 27 de julho.

Os alunos, finalistas do Curso Superior Artístico de Teatro, decidiram dar voz aos esquecidos que acreditavam ser imortais.

 

É desta forma que, a Sala do Tribunal do Mosteiro de São Bento da Vitória vai presenciar a reivindicação de uma justiça esquecida que se apodera da solidão dos que deambulam por entre as ruelas de Buenos Aires, na Argentina.

A obra do dramaturgo argentino Osvaldo Dragún “Histórias para Serem Contadas” , elaborada na década de 50 do século XX, revela-se como uma das principais inspirações da encenação de Roberto Merino.
Depois de concluírem as provas de aptidão profissional de teatro e dança do Balleteatro, os aprendizes da expressão debruçar-se-ão em alguns nomes que prestaram um grande contributo para o Teatro Abierto, cujo se afirma como um movimento cultural fundado na fase inicial da década de oitenta, pretendendo combater a ditadura militar argentina.

Durante cerca de sessenta anos, Osvaldo Dragún revelou a sua paixão pela dramaturgia, literatura e artes performativas. Sendo uma das referências do Teatro Abierto, como já foi referido anteriormente, o movimento pretendia autoproclamar o Proceso de Reorganización Nacional durante o final do século.
A influência brechtiana é algo visível na sua escrita, assim como a recorrência a elementos singulares, vulneráveis, e desassociados de uma classe social específica.

“…E pensávamos que eram imortais” é o evidenciar de todos aqueles que perdem a sua persistência perante um mundo de surdez social constante, o que torna assim a sua essência profunda, construindo-se no vaguear do vulgar e do desaparecido por entre a normalidade da exploração, solidão e injustiça que se cristaliza na menção dos países situados na América Latina.

Como afirma o encenador,

Nascer é tão fácil
como encontrar uma pedra, uma árvore, uma mosca.
E disseram-nos que éramos imortais.
Os que o disseram já morreram,
e foram esquecidos.

O (re)descobrir de uma humanidade esquecida já possui os bilhetes disponíveis para vaguear por entre as ruelas de Buenos Aires, que estará em apresentação a partir do dia 23 de julho até 25 de julho.

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