As 3 Marias

 

As 3 Marias são um projeto musical nascido em 2008, na cidade do Porto, composto por Cristina Bacelar, Fátima Santos e Ianina Khmelik. Identificam-se como um projeto que nasceu da fusão do tango, flamenco, baladas e algum fado.

O primeiro trabalho, editado em 2009, “Quase a primeira vez”, foi Disco Antena 1, tal como o segundo disco da banda, “Bipolar”, lançado em setembro de 2013.

O terceiro, e para já, último trabalho de As 3 Marias, “Depois”, nasceu em janeiro deste ano, e combina a melodia dos instrumentos e vozes, com a plasticidade sonora da música eletrónica.

A FAIRE esteve à conversa com Cristina Bacelar, mentora da Banda e ficou a conhecer mais sobre este projeto e o que mais podemos esperar.

FAIRE: Como surgiu o desejo de criar uma banda? E porquê “As 3 Marias?” 

3 Marias: Sempre gostei de instrumentos acústicos e de projectos de fusão. A base era o tango, cruzado com outras sonoridades musicais. Digo era, porque neste momento de tango tem muito pouco. Quis experimentar a sonoridade da guitarra com o acordeão e inicialmente com contrabaixo. Mais tarde surge a percussão e depois o violino. Foi uma espécie de “laboratório musical” que funcionou. Era preciso um nome e lembrei-me de As 3 Marias. Maria é um nome de origem (não há  certeza) hebraica e significa soberba Senhora. Achei interessante e apelativo…

F: Em 2008, quando apresentaram este projeto ao mundo, certamente tinham em vocês referências musicais que hoje em dia não têm, e outras que foram adquirindo ao longo dos anos. Quem são essas referências, passadas e presentes? 

3M: O tango foi o ponto de partida. Piazzolla, Gardel e outros nomes ligados ao tango. Há também, um cruzamento entre a guitarra flamenca, embora eu não seja assumidamente guitarrista de flamenco. Mas sou curiosa e gosto de abordar a música e os seus diversos estilos à minha maneira. Há também, a bossa nova, ouvi muita música brasileira, concretamente bossa nova. E a sonoridade das Marias é mesmo isso, uma mescla de sensações musicais sem ser nada disso… Há também, uma componente forte da música erudita através dos instrumentos, acordeão e violino.

F: Este último trabalho, “Depois”, é diferente dos dois primeiros discos lançados. Como nasceu a combinação do vosso estilo inicial, com a música eletrónica? 

3M: Já tínhamos espreitado a electrónica no disco anterior, no “Bipolar”. E gostamos. Quisemos ser mais arrojadas e como acho que os discos não devem ser todos iguais, ou seja, uma coisa é o cunho pessoal, a assinatura, outra coisa é fazer sempre a mesma coisa. Quisemos apostar numa sonoridade diferente , mantendo sempre o lado acústico. Este disco é muito mais comercial, tem canções com refrões fortes e que ficam no ouvido das pessoas. Escolhemos para o produzir, o Nuno Gonçalves, dos The Gift e este Depois ficou assim com duas “assinaturas” … Tem muita cor o disco e tem um “fundo” a preto e branco…

F: Numa entrevista à RTP, disseram que a Simone de Oliveira é o elo de ligação entre o vosso trabalho anterior e o mais recente. De que forma é que esta ligação é mais notória aos olhos do público? 

3M: A Simone abriu-nos outras portas, obviamente. Na reedição do “Bipolar”, fizemos uma arranjo do “No teu Poema”. Uma das características de As 3 Marias, são também as versões e já fizemos varias dos clássicos da música ligeira portuguesa e do pop rock português… É uma forma quase didática de mostrar às novas gerações o que se fazia há muitos anos atrás na música portuguesa…convém não esquecer o passado. Temos uma versão, por exemplo do video Maria dos GNR, no 1º disco. E como eu dizia, na a reedição do “Bipolar” (2º disco) decidimos fazer uma versão do tema “No teu Poema” e convidamos a Simone de Oliveira, para o cantar connosco. Tudo isto surgiu porque a Simone tinha participado num espetáculo nosso, no casino da figueira da foz. Correu muito bem e como tínhamos que reeditar o “Bipolar”, convidamo-la para gravar connosco. A aceitação foi excelente por parte do público e também foi a “passagem” para chegarmos à nossa actual editora Sony Music. Dai, eu dizer que ela foi a ligação entre o antes e este Depois.

F: Depois de 3 discos lançados, em que dois alcançaram o Disco Antena 1,  de apresentarem o vosso último trabalho no Porto e em Lisboa, quais são o s próximos passos para As 3 Marias? 

Estamos a organizar a agenda de concertos. Há muito trabalho para ser feito. E é aí que As 3 Marias se vão focar.

Ivânia Cardoso

 Newsletter