A Viagem da Porto Standards

 

O Design e a Arquitetura cruzaram caminhos com a célebre cidade portuense. As ruas, delineadas pelos edifícios vintage e pelas esquinas monumentais deterioradas, não admitem ser intituladas de “antiguidades” ou “edifícios velhos”. A Porto Standards escolheu a Baixa como residência.

A loja, que também funciona como gabinete de projeto, foi inaugurada em Julho de 2015 e apresenta um portfólio que assenta no design de interiores de edifícios de habitação, iates e retail.

O grupo Porto Standards é composto por designers de interiores e arquitetos que desenvolvem trabalhos exclusivos e apresentam peças de diversas marcas tais como, a George Jensen, Iitalla e Alessi.
Os melhores gabinetes de Design da Europa contaram com a presença de alguns elementos que constituem a Porto Standards. A cidade alemã Stuttgart, Copenhagen no norte da Europa e a capital francesa não foram excepção.

Porto Standards pretende partilhar o seu know-how e a sua experiência, tal como descreve na sua plataforma online.

A exposição de diversas peças permite apresentar o leque de produtos diversificado que possuem, o que permite presentiar os seus clientes com as mais recentes tendências de design e lifestyle.

A FAIRE esteve à conversa com Nuno Henriques, um dos elementos da Porto Standards, para compreender como surgiu o projeto.

FAIRE: Como surgiu a relação entre a cidade portuguesa, a área do design e da arquitetura para o Porto Standards? 

Nuno Henriques: A Porto Standards surgiu no Porto porque esta é a cidade onde nos conhecemos e onde nos sentimos bem. Apesar do nome, o Porto de Porto Standards não diz respeito directamente ao Porto, mas sim a um porto de barcos. É um pequeno trocadilho que fazemos, pois trabalhamos e vivemos entre a cidade do Porto e a zona costeira de Gaia.

F: Como é que o grupo Porto Standards se uniu, uma vez que muitos de vocês desenvolveram parte da vossa formação profissional em diversos ateliers distribuídos pela Europa?

NH: Os dois sócios principais conheceram-se e foram colegas de faculdade no Porto. Todos os restantes colaboradores (designers e arquitetos) surgem através de conhecimentos efetuados noutros gabinetes onde trabalhamos anteriormente. Temos ainda colaboradores fora do país para projetos internacionais, que cada vez mais têm aparecido sobretudo porque o Porto é uma das cidades “hip” europeias.

F: Sendo a arte o grande laço que reside nesta “casa”, é possível afirmar que o Porto, o Design e a Arquitetura estarão conectados também pela exigência que persiste do público alvo e da relevância histórica na relação da cidade com a arte?
NH: O Porto está bastante ligado a uma corrente muito própria de arquitetura. Infelizmente uma corrente que parece não se adaptar aos tempos atuais. No que diz respeito a design de interiores, existem alguns gabinetes com projectos muito interessantes, no entanto não poderemos afirmar que o Porto seja uma cidade que seja reconhecida devido a isto.

No que diz respeito a arte, sobretudo pintura e escultura, o Porto tem um background bastante forte no panorama nacional, e outras vertentes gráficas – como o design gráfico – encontra no Porto gabinetes com um trabalho excelente. Pensamos que cada vez mais o Porto se apresenta com um hub de novas ideias e projectos, sobretudo pela quantidade de estrangeiros que chegam diariamente à cidade. Não podemos falar numa escala como a de Lisboa, mas num modo um pouco mais pequeno, o Porto continua valorizar-se no que diz respeito às áreas criativas.

F: Os produtos exclusivos possuem uma fonte de inspiração mais pessoal ou as criações assentam apenas no desejado pelo cliente?

NH: Quando iniciamos um projecto de interiores, temos sempre um período de conhecimento do nosso cliente. Tendo em conta a natureza afectiva que o projectar de um espaço pessoal contém, temos obrigatoriamente que entrar na pele dos nossos clientes. No entanto, fazemos sempre questão de deixar o nosso cunho pessoal em todos os projectos, caso contrário não seríamos designers. Tem que existir sempre uma balança entre o que o cliente quer e o que o cliente não sabe que ainda vai querer ou necessitar aliado àquilo que nós defendemos ser a melhor solução

F: De momento, quais os produtos que aconselham atendendo às novas tendências?

NH: Sinceramente não seguimos tendências. Cada projecto é um projecto, no entanto temos uma linha de pensamento e de projecto bastante definida. O que é bom para um cliente, poderá ser mau para outro. No entanto, no geral, podemos afirmar que optamos sempre por tons neutros e quentes. O conforto do cliente é a nossa principal preocupação e não nos interessa que passado um ou dois anos o cliente esteja completamente farto de peça X ou Y, ou da parede Y ou Z porque têm cores muito berrantes. Optamos sempre por materiais orgânicos e mobiliário/iluminação que resistiram e resistirão às modas e ao passar do tempo. Se repararmos em peças de criadores como Jean Royere, Franco Albini, Charlotte Perriand, Pierre Jeanneret, Charles & Ray Eames, entre outros, temos objectos com dezenas de anos que podiam ter sido desenhados ontem. É um pouco a nossa filosofia para os nossos projectos. Queremos uma intemporalidade nos nossos espaços, e portanto evitamos modas.

Ainda que o seu reconhecimento não seja totalmente referenciado em Portugal, a Porto Standards possuí uma larga experiência em território alemão, dinamarquês e francês. Reconhecendo a grande carga de trabalhos e projetos a que estão submetidos, a Porto Standards promete não ficar por aqui, “Apesar de termos uma larga experiência de trabalho em cidades como Estugarda, Copenhaga ou Paris, só agora começamos nós próprios a internacionalizar o nosso trabalho. Nos próximos anos irão sem dúvida ouvir falar de nós!”

Patricia Silva

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